O Peru enfrenta uma semana de severa instabilidade climática e geológica. As fortes chuvas, potencializadas pelo fenômeno climático El Niño, provocaram inundações e deslizamentos de terra que forçaram as autoridades a interditar a Trilha Inca, uma das rotas turísticas mais importantes do país e principal acesso a Machu Picchu. O bloqueio, que afeta o fluxo de visitantes, deve permanecer em vigor pelo menos até este sábado (22).
O cenário de destruição não se restringe às zonas montanhosas. Em Lima, a capital peruana, dezenas de residências foram tomadas pelas águas, comprometendo a infraestrutura básica de saneamento e abastecimento de água. A gravidade da situação levou o governo local a suspender as atividades escolares em três distritos da região sul da capital, enquanto famílias contabilizam prejuízos materiais severos após terem suas casas invadidas pela lama e pela chuva.
Impactos do fenômeno El Niño na economia e infraestrutura
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, altera drasticamente os padrões meteorológicos na América Latina. No Peru, os efeitos vão além dos danos urbanos imediatos, atingindo setores vitais como a agricultura e a pesca, que dependem da estabilidade climática para manter a produtividade. Nas regiões de Arequipa e Moquegua, deslizamentos de terra isolaram comunidades ao bloquear estradas estratégicas.
Apesar da magnitude dos eventos climáticos, a indústria extrativista, pilar da economia peruana, mantém certa resiliência. A Southern Copper, uma das maiores produtoras de cobre do mundo, informou que suas operações no sul do país seguem operando normalmente, sem impactos diretos das chuvas até o momento. O país, que ocupa a terceira posição no ranking global de produção de cobre, observa com atenção a evolução dos fenômenos para evitar interrupções na cadeia de suprimentos.
Terremoto agrava crise em meio às inundações
Para complicar o cenário de emergência, o país foi atingido por um terremoto de magnitude 6,7 na última quinta-feira (20). O epicentro foi registrado na província de Parinacochas, no departamento de Ayacucho, a cerca de 791 quilômetros de Lima. O abalo ocorreu a uma profundidade de 99 quilômetros, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), embora o Instituto Geofísico do Peru (IGP) tenha estimado a magnitude em 7,2.
O ministro da Defesa, Rafael Belaúnde, confirmou que o tremor deixou três pessoas feridas e causou danos estruturais em 22 residências, seis escolas e 12 unidades de saúde. O abalo foi sentido em diversas regiões, incluindo Cusco, Arequipa, Ica e Apurímac, gerando apreensão em uma população que já lidava com as consequências das inundações. O governo peruano segue monitorando as áreas afetadas para prestar assistência às famílias desabrigadas e avaliar a extensão total dos danos causados pela combinação de desastres naturais.
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