A rotina de violência na Cisjordânia ocupada, onde confrontos e agressões são uma constante, ganhou um novo e chocante capítulo que revoltou a comunidade palestina. Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra um colono israelense extremista agredindo brutalmente uma cadela com cassetetes, um ato de crueldade que, mesmo para uma população acostumada à adversidade, provocou indignação e dor. O incidente, que expõe a vulnerabilidade de palestinos e seus bens, ressalta a escalada de tensões e a persistente impunidade na região.
A cadela, uma pastor belga malinois de um ano e meio chamada Lucy, foi alvo de uma agressão filmada pela família palestina Abu Rejalah, moradora da aldeia de Atara. As imagens, difíceis de assistir, mostram o animal uivando de dor enquanto tenta, em vão, fugir dos golpes, presa por uma corrente a uma oliveira. Este episódio, verificado pelo New York Times, é um sintoma da crescente hostilidade que se manifesta de diversas formas, desde roubo de rebanhos e destruição de oliveiras até incêndios e agressões físicas.
Cisjordânia: a rotina de violência e a escalada em Atara
A aldeia de Atara, localizada ao norte de Ramallah, tem sido palco de uma série de incidentes que visam a expulsão de palestinos de suas terras. No verão passado, um posto avançado ilegal de colonos, denominado Kfar Tarfon, foi estabelecido a cerca de 1,2 km da residência da família Abu Rejalah. Desde então, a vida dos moradores mudou drasticamente. Jovens colonos passaram a atirar pedras em carros na estrada principal, assediaram um pastor beduíno até que ele abandonasse suas terras e, no outono passado, impediram os aldeões de colher centenas de oliveiras, uma tradição central e fonte de renda vital para a comunidade.
A família Abu Rejalah, que está em processo de expansão com os filhos de Hassan Abu Rejalah, 50, casando-se e tendo seus próprios filhos, tornou-se um alvo direto. A casa da família, uma construção de três andares ainda em obras, é visível do posto avançado de Kfar Tarfon. Os colonos conduziam seus rebanhos pela propriedade da família, destruindo plantações, roubavam hortaliças e danificaram o portão de entrada, tudo sob o olhar das câmeras de segurança.
A família Abu Rejalah sob pressão e a perda de Angel
Além das agressões materiais, a família Abu Rejalah enfrentou acusações infundadas. Hassan relatou que dois de seus filhos foram acusados de atacá-los. Em 9 de janeiro, Ibrahim, 31, e Daoud, 26, foram presos por soldados israelenses, espancados, mantidos por cinco dias e depois soltos sem acusação formal. O Exército israelense confirmou as prisões após um civil relatar apedrejamento, mas não respondeu sobre as agressões. Esse tipo de experiência é, infelizmente, comum para palestinos em toda a Cisjordânia.
A crueldade contra animais também se tornou um padrão. No outono passado, um vizinho dos Abu Rejalah encontrou um burro morto pendurado em uma oliveira, um ato que contribuiu para o abandono da colheita de azeitonas. Em 18 de fevereiro, membros da família Abu Rejalah encontraram um colono pastoreando ovelhas em sua propriedade e atirando pedras em outro cachorro, Angel, um cão de raça mista com malinois. Dois dias depois, Angel morreu em decorrência dos ferimentos, um prenúncio da tragédia que se abateria sobre Lucy.
O ataque chocante a Lucy e a repercussão
O ponto culminante dessa escalada de violência ocorreu em 14 e 15 de maio. No primeiro dia, um colono atirou uma pedra na janela da casa da família. Ibrahim Abu Rejalah o filmou e acionou a polícia israelense e os serviços de segurança palestinos. Soldados israelenses chegaram e mandaram o homem embora, mas as autoridades alertaram a família:
