A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar neste sábado (18 de julho de 2026), com o Irã lançando uma série de ataques contra nações aliadas de Washington na região do Golfo e na Jordânia. A ofensiva iraniana ocorre após a sétima noite consecutiva de investidas militares dos Estados Unidos contra alvos iranianos, marcando uma escalada significativa no conflito que se intensificou após o colapso de um cessar-fogo na semana anterior. A situação acende alertas globais sobre a estabilidade regional e os possíveis desdobramentos de uma guerra em larga escala.
Os confrontos recentes transformaram o cenário geopolítico, com ambos os lados testando os limites da escalada. A retaliação iraniana, que se estendeu por diversas frentes, demonstra a complexidade e a imprevisibilidade de uma crise que já ceifou vidas e causou danos materiais consideráveis, afetando diretamente a infraestrutura civil e militar de países envolvidos.
Kuwait sob fogo cruzado e a resposta iraniana
O Kuwait, um dos principais aliados dos EUA na região, foi particularmente afetado pelos ataques contínuos. Uma usina de dessalinização, vital para o abastecimento de água potável, foi atingida, e as operações no Aeroporto Internacional do país foram suspensas repetidamente devido a ameaças de mísseis e drones. A Kuwait Petroleum Corporation também reportou que uma de suas instalações petrolíferas sofreu danos significativos e deixou feridos após ser alvo de investidas iranianas, conforme divulgado pela agência de notícias estatal.
Em resposta, as forças armadas do Kuwait informaram ter interceptado mísseis balísticos e drones iranianos durante a madrugada. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) assumiu a autoria de alguns desses ataques, afirmando ter atingido um centro de apoio militar dos EUA em Camp Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea Ali Al Salem, ambos no Kuwait. A justificativa iraniana para as ações foi a retaliação aos ataques dos EUA contra pontes, instalações de energia e outras infraestruturas iranianas.
Em um comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica alertou os aliados dos EUA na região, citando o Alcorão: “Quem atacar vocês, ataquem-no da mesma maneira”, e prometeu mais ataques. O Ministério da Saúde do Irã, por sua vez, informou que 50 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas em ataques dos EUA nas últimas três semanas, segundo a agência de notícias semioficial Ilna.
Expansão da crise para Bahrein, Jordânia e Arábia Saudita
A escalada não se limitou ao Kuwait. A Guarda Revolucionária do Irã também atacou um local no Bahrein, na Base Aérea Sheikh Isa, onde aeronaves de combate dos EUA estavam concentradas, além de um centro de dados de inteligência, de acordo com a mídia estatal iraniana. Na Jordânia, a IRGC alegou ter destruído pelo menos dois caças e três outras aeronaves dos EUA durante um ataque com mísseis e drones na madrugada de sábado contra a base americana em Al Azraq, conforme relatado pela TV estatal iraniana. A agência Reuters, no entanto, não conseguiu verificar esses relatos de forma independente.
Pela primeira vez em cerca de três meses, o Irã também lançou ataques contra a Arábia Saudita, acionando alarmes de alerta precoce em Al-Kharj, a leste da capital Riad, e em Yanbu, na costa do Mar Vermelho. Fontes a par do assunto indicaram que um dos alvos foi a Base Aérea Príncipe Sultan, em Al-Kharj, que abriga forças dos EUA. A mídia estatal saudita não forneceu detalhes sobre os alertas, e o governo não se pronunciou oficialmente sobre os incidentes.
Impactos regionais e globais da escalada
A intensificação do conflito já reverberou no mercado global. Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira, atingindo o nível mais alto em mais de um mês, o que aumenta a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump. A alta nos preços do barril ocorre em um momento crucial, com seu Partido Republicano buscando manter o poder nas eleições legislativas de novembro, onde a economia e a segurança nacional são temas centrais.
Além disso, a disputa se estendeu para o tráfego marítimo. Os EUA anunciaram a imposição de um bloqueio naval, enquanto o Irã afirmou ter atacado embarcações que violaram suas regras de navegação no estratégico Estreito de Hormuz. Esta via navegável é vital, por onde passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo, e qualquer interrupção pode ter consequências econômicas devastadoras em escala global. A mídia iraniana também relatou que mísseis atingiram instalações de energia e bombas de dessalinização na cidade de Jask, no sul do Irã, deixando cerca de 10 mil pessoas em 20 vilarejos sem água, evidenciando o impacto humanitário dos ataques.
O cenário de escalada e os próximos passos
A série de ataques iranianos é uma resposta direta à ofensiva americana. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou ter concluído seu sétimo dia consecutivo de ataques, visando instalações de vigilância iranianas, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas. A mídia iraniana, por sua vez, detalhou ataques na província de Hormozgan, no Estreito de Hormuz, que resultaram em três mortos, oito feridos e danos a pontes e um túnel rodoviário.
Um dia antes, a estatal iraniana havia noticiado que ofensivas dos EUA atingiram pelo menos cinco pontes no sul do país, causando sete mortes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi danificada. Um aeroporto foi atingido em Iranshahr, mais a leste. Autoridades americanas afirmaram que esses ataques foram planejados para fornecer opções ao presidente Trump, que não descartou a possibilidade de um ataque terrestre à costa ou às ilhas do Irã, indicando que a escalada ainda pode atingir níveis mais perigosos. A comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos dessa crise, que ameaça desestabilizar ainda mais uma região já marcada por conflitos históricos. Para mais informações sobre a geopolítica do Oriente Médio, clique aqui.
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