Estratégia de Trump para Cuba: busca por ‘Delcy Rodríguez’ antes de ação contra Raúl Castro

Estratégia de Trump para Cuba: busca por ‘Delcy Rodríguez’ antes de ação contra Raúl Castro

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Em um movimento que sublinha a complexidade e a volatilidade das relações internacionais, o governo de Donald Trump buscou ativamente uma figura de liderança em Cuba, ativa ou aposentada, que pudesse ser persuadida a assumir o poder em Havana. A revelação, datada de 8 de agosto de 2026 e divulgada pelo The New York Times, aponta para uma intensificação da campanha de pressão dos Estados Unidos contra a ilha caribenha. O plano, descrito como uma “alteração do regime” em vez de uma “mudança de regime”, visava identificar um sucessor “pragmático” antes de qualquer operação contra Raúl Castro.

A iniciativa reflete a persistente tensão entre Washington e Havana, marcada por décadas de embargos, sanções e tentativas de influência política. A busca por um líder alinhado aos interesses americanos demonstra a intenção de moldar o futuro político cubano, mesmo diante da complexa realidade interna do país e das avaliações de suas próprias agências de inteligência.

A busca por uma figura ‘pragmática’ em Havana

As agências de inteligência americanas foram pressionadas pelo governo Trump a identificar um perfil específico: uma autoridade cubana que pudesse emular Delcy Rodríguez, que ascendeu à presidência interina da Venezuela após a suposta captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro. Rodríguez era vista por Washington como uma figura pragmática, capaz de garantir uma transição de poder suave e disposta a colaborar estreitamente com os Estados Unidos. A crença de alguns integrantes do governo era de que um líder com características semelhantes poderia ser encontrado em Cuba.

Essa abordagem sublinha uma estratégia de intervenção indireta, buscando fomentar uma transição interna que se alinhe aos objetivos geopolíticos dos EUA, sem necessariamente recorrer a uma invasão militar direta. A ideia era evitar o vácuo de poder e a instabilidade que poderiam surgir de uma remoção abrupta da liderança, substituindo-a por alguém que pudesse garantir uma continuidade controlada e favorável aos interesses americanos.

Cuba: um cenário mais próximo do Irã que da Venezuela

Contrariando as expectativas de parte do governo Trump, as avaliações das agências de inteligência americanas indicaram que Cuba se assemelha mais ao Irã do que à Venezuela. Essa distinção é crucial para entender a dificuldade de encontrar uma “Delcy Rodríguez cubana”. Segundo fontes informadas sobre os relatórios, há poucas figuras pragmáticas em condições de assumir o poder caso Raúl Castro, ex-dirigente que ainda detém vasta influência política, fosse afastado, ou se a atual liderança fosse de alguma forma removida.

Em vez disso, as autoridades cubanas que orbitam as esferas de poder, assim como suas contrapartes iranianas, tendem a representar facções mais linha-dura. Isso sugere um sistema político mais coeso e ideologicamente arraigado, onde a dissidência interna ou a ascensão de figuras dispostas a colaborar com os EUA seriam menos prováveis. A estrutura de poder em Cuba, construída ao longo de décadas de revolução e resistência, apresenta uma resiliência e uma homogeneidade ideológica que diferem significativamente do cenário venezuelano, mais fragmentado e suscetível a pressões externas.

As exigências e incentivos da Casa Branca a Havana

A política do governo Trump em relação a Cuba oscilou entre a intenção de trabalhar com o regime comunista e a elaboração de planos para sua derrubada. Em semanas anteriores à revelação do plano, autoridades americanas apresentaram uma lista de exigências aos líderes cubanos, acompanhada de incentivos caso Havana fizesse avanços. As demandas incluíam a liberalização da economia, a abertura para empresas americanas, a compra de petróleo dos EUA e a expulsão de agentes de inteligência russos e chineses da ilha.

Os incentivos oferecidos por Washington, embora com poucos detalhes conhecidos, envolviam o fornecimento de mais ajuda humanitária e o abrandamento das sanções econômicas impostas à economia cubana. Essas sanções, que datam de décadas, têm sido um ponto central na disputa entre os dois países, impactando severamente a vida dos cidadãos cubanos e a capacidade do governo de desenvolver sua economia. A oferta de alívio nas sanções representava uma tentativa de usar a pressão econômica como alavanca para mudanças políticas.

O impasse e a urgência por alternativas

Até o momento da reportagem, o regime cubano não parecia disposto a fazer esse tipo de concessão. Embora Cuba tenha anunciado grandes mudanças econômicas, permitindo maior participação da iniciativa privada, as medidas parecem ter ficado aquém das expectativas de Washington. Essa relutância cubana em ceder às exigências americanas conferiu uma urgência ainda maior aos esforços para identificar lideranças alternativas, caso a pressão não surtisse o efeito desejado.

O impasse reflete a profunda desconfiança mútua e as divergências ideológicas que caracterizam a relação entre EUA e Cuba. A busca por uma “Delcy Rodríguez cubana” é um sintoma dessa complexidade, revelando a persistência de estratégias de influência e a dificuldade de prever os desdobramentos em um cenário político tão intrincado. O futuro das relações entre os dois países permanece incerto, com a possibilidade de novas pressões e a contínua busca por soluções que atendam aos interesses de ambas as partes, ainda que por vias indiretas.

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