Pacientes que utilizam terapias para o controle da obesidade e optam pela transição das tradicionais canetas injetáveis para a versão em comprimido do medicamento Wegovy, produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, mantêm resultados positivos na perda de peso. A conclusão faz parte de um estudo apresentado recentemente durante o congresso da EASD (Associação Europeia para o Estudo do Diabetes), realizado em Milão.
Resultados clínicos e transição de tratamento
A pesquisa acompanhou 194 pacientes que migraram de tratamentos injetáveis, incluindo o próprio Wegovy e o Zepbound (tirzepatida), da Eli Lilly, para a semaglutida oral. Os dados revelaram que, após três meses de uso da versão em comprimidos, os participantes perderam, em média, 4,1% de seu peso corporal. Partindo de um peso inicial médio de 100,5 kg, a redução absoluta foi de aproximadamente 4 kg por pessoa.
Além da perda de peso, o estudo destacou uma mudança significativa no perfil clínico dos participantes. A parcela de pacientes classificados com obesidade clínica caiu de 87,1% para 65,5% no período analisado. Notavelmente, cerca de 41% dos indivíduos conseguiram eliminar pelo menos 5% de sua massa corporal total, reforçando a viabilidade da alternativa oral no manejo da condição.
Adesão e mercado de medicamentos orais
A transição para a via oral levanta debates sobre a adesão ao tratamento. Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, afirmou que os dados demonstram que muitos pacientes alcançam resultados ainda mais expressivos com o comprimido. A empresa tem buscado fortalecer sua posição no mercado global de medicamentos para obesidade, que possui projeções de movimentar cerca de 100 bilhões de dólares anuais até o final desta década.
Atualmente, os tratamentos orais já representam cerca de um terço das prescrições contra a obesidade nos Estados Unidos. A Novo Nordisk detém mais de 80% das novas prescrições desse segmento. O CEO da farmacêutica, Mike Doustdar, estima que os comprimidos possam conquistar até metade do mercado global nos próximos anos, à medida que a disponibilidade do produto se expande para novos países.
Contexto e limitações da pesquisa
É importante ressaltar que os dados foram compilados em colaboração com a empresa americana de telessaúde Ro. Embora os resultados reflitam a prática clínica real, o estudo possui limitações, uma vez que depende parcialmente de informações fornecidas pelos próprios pacientes. Por não se tratar de um estudo randomizado, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito, servindo, contudo, como um indicador importante da eficácia no uso cotidiano.
Até o momento, o Wegovy em comprimidos está disponível nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos. No Brasil, o medicamento ainda não foi lançado, estando disponível apenas a versão injetável. Para mais informações sobre avanços na medicina e saúde, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência para notícias com credibilidade e contexto.
