Ex-diretor da Fazenda de SP recebeu R$ 228 mil em bônus e salários mesmo após prisão por corrupção

Ex-diretor da Fazenda de SP recebeu R$ 228 mil em bônus e salários mesmo após prisão por corrupção

Politica

O cenário de crise na Secretaria da Fazenda de São Paulo ganhou contornos de indignação pública após a revelação de que o auditor fiscal André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária, continuou a acumular benefícios financeiros vultosos mesmo após ser afastado de suas funções sob suspeita de corrupção. O servidor, que foi preso na quinta-feira (3) no âmbito da Operação Ícaro, recebeu R$ 228 mil em salários entre maio e julho deste ano.

A engrenagem dos pagamentos e a progressão na carreira

O afastamento de Weiss ocorreu em maio, por meio de um decreto assinado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Contudo, a medida não significou o desligamento do quadro funcional. O auditor permaneceu vinculado à pasta e, em 13 de julho, foi designado para o cargo de assistente fiscal da diretoria, movimentação que lhe garantiu o acesso a novos prêmios por produtividade.

A análise dos dados do Portal da Transparência revela uma distorção financeira acentuada: enquanto a média mensal de remuneração entre janeiro e abril era de R$ 53,7 mil, o valor saltou para R$ 76 mil após o afastamento oficial. Em junho, o montante recebido atingiu R$ 107 mil, sendo R$ 87 mil em valores líquidos, somando-se ainda R$ 6.900 provenientes de sua atuação no conselho fiscal da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Benefícios e licenças em meio às investigações

A trajetória de Weiss após o afastamento incluiu ainda a concessão de um adicional por tempo de serviço, referente aos 20 anos de carreira, em agosto. No mesmo dia em que o benefício foi concedido, o servidor foi contemplado com 90 dias de licença-prêmio. A gestão estadual justifica que tais pagamentos seguem critérios objetivos da legislação da carreira de auditor fiscal e que valores que excedem o teto constitucional referem-se a pagamentos retroativos.

Em nota oficial, o governo de São Paulo esclareceu que o servidor está sem receber qualquer remuneração desde a data de sua prisão, na última quinta-feira. A administração também pontuou que o ex-diretor deixou o conselho fiscal da CPTM em junho, encerrando o acúmulo de rendimentos naquela esfera.

O esquema de corrupção e a delação premiada

As investigações conduzidas pelo Ministério Público apontam que André Weiss teria sido o responsável por estruturar e nomear o grupo técnico encarregado da revisão de isenções tributárias para grandes empresas, como a Ultrafarma e a FastShop. O esquema foi detalhado em delação premiada pelo ex-auditor Paulo do Prado.

Segundo o relato de Prado, as transações ilícitas envolviam a entrega de mochilas contendo R$ 4,5 milhões em espécie, em encontros realizados em uma cafeteria na região de Pinheiros, zona oeste da capital paulista. A defesa de Weiss não foi localizada para comentar as acusações até o fechamento desta reportagem.

O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos da Operação Ícaro e os impactos das investigações na estrutura administrativa do estado. Para se manter informado sobre os bastidores da política e os desdobramentos de casos de corrupção que afetam o erário público, continue acompanhando nossas atualizações diárias e reportagens especiais.

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