A sucessão política ganha um capítulo curioso e nostálgico nas eleições deste ano em São Paulo. José Carlos Eymael, filho do veterano José Maria Eymael, decidiu oficializar a herança de sua trajetória familiar nas urnas. O candidato a deputado federal adotou o nome de urna “Eymael” e incorporou o icônico jingle que consagrou seu pai como uma das figuras mais folclóricas e persistentes da política brasileira.
A transição de um símbolo eleitoral
A decisão de utilizar o nome que se tornou sinônimo de “um democrata cristão” marca uma mudança estratégica na carreira de José Carlos. Embora ele dispute eleições desde 2004, esta é a primeira vez que abdica de variações como “José Carlos Eymael” ou “Eymael Filho” para se apresentar ao eleitorado apenas como Eymael. A aposta é na força da marca sonora que, há décadas, ecoa no imaginário popular brasileiro.
O jingle, que se tornou um fenômeno cultural, foi criado originalmente para as eleições municipais de São Paulo em 1982. Desde então, a música acompanhou José Maria Eymael em diversas campanhas, tornando-se um elemento indissociável de sua identidade pública. Segundo o filho, a intenção é manter vivo o legado: “O jingle é da família, eu espero que, depois, meus filhos e netos continuem elevando o ‘Eymael, um democrata cristão’”, afirma.
O afastamento do patriarca e a continuidade no DC
A mudança ocorre em um momento de transição dentro do partido Democracia Cristã (DC). Em julho de 2025, José Maria Eymael, aos 85 anos, deixou a presidência da legenda e optou por não concorrer a nenhum cargo eletivo neste pleito. O patriarca, que foi deputado federal constituinte e seis vezes candidato à Presidência da República, parece ter encerrado seu ciclo ativo nas urnas.
O melhor desempenho eleitoral de José Maria Eymael na corrida presidencial ocorreu em 1998, quando alcançou 0,25% dos votos. Apesar da votação expressiva em termos de alcance nacional, sua marca registrada sempre foi a resiliência e a manutenção de uma identidade política muito específica. Agora, o filho busca capitalizar essa lembrança afetiva para tentar conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, utilizando a mesma legenda pela qual o pai construiu sua trajetória.
Impacto e expectativa nas urnas
Para o eleitor, a estratégia de José Carlos Eymael é um teste sobre o peso da memória afetiva na política contemporânea. Enquanto o pai aproveita uma fase de descanso, o filho tenta converter o reconhecimento do jingle em votos reais. O candidato relata que, por onde o pai passa, a reação é imediata: “Meu pai hoje está, digamos, curtindo mais a vida. E por onde ele passa tem quem começa a cantar”, comenta.
A trajetória de José Carlos, que até o momento não obteve sucesso em pleitos anteriores, ganha um novo contorno com essa apropriação direta da identidade paterna. O desfecho dessa aposta será conhecido nas urnas, mas o movimento já garante que o nome Eymael continue sendo entoado no cenário político paulista. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras campanhas, continue conectado ao Diário Global, seu portal de referência para notícias com contexto, profundidade e compromisso com a informação de qualidade.

