O Irã iniciou nesta sexta-feira (3 de julho de 2026) uma série de cerimônias fúnebres grandiosas para o ex-líder supremo Ali Khamenei, falecido em decorrência de ataques israelenses e americanos que desencadearam a atual guerra no Oriente Médio. Teerã, a capital iraniana, transformou-se em um epicentro de luto e demonstração de força, com a expectativa de atrair entre 15 e 20 milhões de participantes para as homenagens que se estenderão por dias.
O evento, cuidadosamente planejado pelo regime, visa projetar uma imagem de unidade e resiliência em um momento de profunda instabilidade regional. A morte de Khamenei e a subsequente escalada do conflito com Israel e Estados Unidos colocam o país persa em um cenário geopolítico delicado, marcado por um frágil acordo de cessar-fogo temporário.
A última homenagem a Ali Khamenei em Teerã
O corpo do aiatolá Ali Khamenei, envolto em um caixão coberto pela bandeira iraniana, ficará exposto dia e noite até segunda-feira (6) no complexo da Grande Mosalla, em Teerã. O local foi adornado com grandes retratos do ex-líder, bandeiras pretas simbolizando luto e bandeiras vermelhas, que evocam martírio e vingança, elementos centrais na retórica revolucionária iraniana.
Além do caixão de Ali, também estão expostos os de seus familiares que pereceram nos ataques iniciais da guerra, incluindo uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta. Essa exposição conjunta reforça a narrativa de sacrifício e a dor coletiva diante das perdas.
Mobilização nacional e a mensagem do regime
A magnitude esperada para o funeral de Ali Khamenei é um testemunho do esforço do regime para consolidar apoio interno e enviar uma mensagem clara aos seus adversários. Funcionários como Houssein Moghadassi, de 43 anos, expressaram a expectativa de uma afluência massiva de pessoas de todas as partes do Irã, com muitos se preparando para acolher visitantes em suas casas na capital.
A professora Ezzat Shoaï, de 61 anos, exemplifica o sentimento de devoção e solidariedade, afirmando que, após receber os convidados, irá se despedir do “querido líder”. A imagem de Khamenei com o punho erguido é onipresente, e faixas com dizeres como “Teu nome permanecerá eterno nesta terra de ouro” adornam as ruas de Teerã, reforçando a sacralidade da figura do aiatolá.
Presença internacional e o xadrez geopolítico
A cerimônia fúnebre atraiu a atenção de diversas nações, com a presença confirmada de governantes e autoridades de quase 30 países. Entre os nomes de destaque estão o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e o parlamentar de alto escalão da China, He Wei, indicando a relevância geopolítica do Irã e as alianças que o país busca fortalecer.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shebaz Sharif, acompanhado pelo comandante do Exército, Asim Munir, também prestou homenagens, sublinhando o papel do Paquistão como mediador nas negociações entre Irã e Estados Unidos. A delegação do regime talibã do Afeganistão, liderada pelo ministro das Relações Exteriores Amir Khan Muttaqi, também marcou presença, evidenciando as complexas relações regionais.
O legado e os desafios da sucessão
Líderes da República Islâmica, como o presidente Masoud Pezeshkian e o líder do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, prestaram suas homenagens. A aparição pública de Ahmad Vahidi, o novo chefe da Guarda Revolucionária, pela primeira vez desde o início do conflito, é notável, especialmente após a morte de seu antecessor, Mohammad Paqpur, nos primeiros ataques.
A ausência confirmada do filho de Ali, Mojtaba Khamenei, que o sucedeu como líder supremo, levanta questões. Supostamente ferido durante os ataques que vitimaram seu pai, Mojtaba tem se manifestado apenas por mensagens escritas, mantendo-se afastado dos olhos do público desde o início da guerra. A transição de poder e a estabilidade da liderança são pontos cruciais para o futuro do Irã.
Segurança máxima e o roteiro final do adeus
O funeral de Estado, inicialmente previsto para março e adiado devido à guerra, tem potencial para ser um dos maiores da história do Irã. A capital foi transformada em uma fortaleza, com o aeroporto de Teerã parcialmente fechado e programado para fechamento total na segunda-feira, que será feriado nacional. Centros comerciais e empresas foram obrigados a interromper suas atividades, refletindo a seriedade das medidas de segurança e a mobilização total do Estado.
Um cortejo fúnebre transportará o caixão de Ali pelas ruas de Teerã na segunda-feira, antes de seguir para a cidade sagrada de Qom na terça. O enterro final está agendado para 9 de julho, na cidade sagrada de Meshed, no nordeste do Irã, local de nascimento do aiatolá. Antes disso, o caixão fará uma escala no vizinho Iraque na quarta-feira, um gesto que reforça os laços com a comunidade xiita majoritária no país.
Este evento monumental, que evoca memórias do funeral do aiatolá Ruhollah Khomeini em 1989, quando milhões de pessoas compareceram e houve incidentes trágicos, sublinha a importância de Ali Khamenei para a República Islâmica e o delicado momento que o Irã atravessa. Acompanhe o Diário Global para mais análises e atualizações sobre este e outros eventos que moldam o cenário internacional, garantindo informação relevante e contextualizada para você.
