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Futebol feminino como ferramenta de propaganda política na Coreia do Norte

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O esporte como vitrine do regime

O regime da Coreia do Norte encontrou no futebol feminino uma de suas principais estratégias de projeção internacional e controle interno. Recentemente, imagens de jogadoras do Naegohyang Women’s FC e da seleção sub-17 visivelmente emocionadas ao serem cumprimentadas pelo ditador Kim Jong-un circularam globalmente, evidenciando como o esporte é instrumentalizado para reforçar a imagem de unidade e lealdade ao Estado.

O encontro ocorreu após uma série de conquistas expressivas. O Naegohyang sagrou-se campeão da Liga dos Campeões Feminina da Ásia em maio, enquanto a seleção sub-17 conquistou a Copa da Ásia da categoria. Para Pyongyang, essas vitórias não são apenas esportivas; são narrativas de superioridade ideológica que o Partido dos Trabalhadores da Coreia utiliza para consolidar sua autoridade.

Investimento estatal e disciplina militar

A ascensão norte-coreana no futebol feminino não é fruto do acaso, mas de um projeto de Estado iniciado ainda na década de 1980. Sob a gestão de Kim Jong-il e, posteriormente, de seu filho Kim Jong-un, a modalidade foi integrada aos currículos escolares e às estruturas das Forças Armadas. A criação da Escola Internacional de Futebol de Pyongyang, em 2013, institucionalizou a formação de atletas de elite, submetendo jovens a regimes de treinamento intensivos e disciplina militar.

Relatos de especialistas e ex-atletas descrevem uma rotina de exigência extrema, onde o campo de futebol é tratado como um cenário de guerra. Treinadores e analistas apontam que a metodologia foca na repetição exaustiva e na assimilação de que o sucesso esportivo é um dever patriótico. Para o regime, o esporte serve como uma extensão da defesa nacional, onde falhas são interpretadas como vulnerabilidades ideológicas.

Recompensas e o peso da propaganda

O sucesso nas competições internacionais traz benefícios materiais e simbólicos para as atletas. Segundo analistas, jogadoras de destaque podem receber moradias em Pyongyang, melhores condições de alimentação e até cargos no Partido dos Trabalhadores. No entanto, o prêmio mais cobiçado é o acesso direto ao líder, uma honraria que reforça a hierarquia social e a devoção pessoal a Kim Jong-un.

Essa dinâmica de propaganda é essencial para a manutenção da narrativa oficial de que o socialismo norte-coreano é superior ao capitalismo. Ao vencerem seleções de países como Japão e Coreia do Sul, as atletas são transformadas em símbolos de resistência. A exibição da bandeira norte-coreana em solo sul-coreano, proibida pela Lei de Segurança Nacional de Seul, torna-se um ato de desafio político que o regime explora exaustivamente em seus canais estatais.

Desafios e o futuro nos gramados

A trajetória da Coreia do Norte no futebol feminino também enfrentou momentos de isolamento, como o banimento de quatro anos imposto pela FIFA após um escândalo de doping em 2011. Após um longo período longe dos grandes palcos, o país prepara seu retorno à elite mundial. A seleção está classificada para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

O evento será uma oportunidade inédita para o regime testar sua máquina de propaganda em solo sul-americano. Enquanto o mundo observa o desempenho técnico das atletas, Pyongyang continuará utilizando cada gol e cada vitória como uma ferramenta para legitimar seu sistema político. Para acompanhar os desdobramentos dessa e de outras questões geopolíticas, continue conectado ao Diário Global, sua fonte de informação contextualizada e imparcial sobre os fatos que moldam o cenário internacional.

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