13.jun.26/Reuters

Guerra em Gaza: estudo inédito aponta perda de US$ 2,6 bilhões e 75% da economia em um ano

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A Faixa de Gaza, palco de um conflito devastador, enfrenta um cenário de ruína econômica sem precedentes. Um novo estudo, publicado na renomada revista PNAS Nexus, uma colaboração entre a Academia Nacional de Ciências dos EUA e a Universidade de Oxford, revela que o primeiro ano da guerra resultou em uma colossal perda de US$ 2,6 bilhões. Este valor representa a eliminação de 75% das atividades econômicas e do consumo médio familiar local, desenhando um panorama sombrio para a população palestina.

A pesquisa, pioneira em sua metodologia, destaca a extensão da destruição: até outubro de 2024, 82% de cada quilômetro quadrado da Faixa de Gaza havia sido danificado pelo menos uma vez, com 67,9% de toda a área construída completamente destruída. Esses números não apenas quantificam a devastação material, mas também sublinham a profunda crise humanitária e social que se agrava a cada dia no território.

A metodologia inovadora por trás do impacto econômico em Gaza

O que torna este estudo particularmente relevante é sua abordagem metodológica. Pela primeira vez, o impacto econômico Gaza foi estimado exclusivamente a partir de dados de satélite, sem depender de informações fornecidas por qualquer uma das partes envolvidas no conflito. Essa independência é crucial em um cenário onde a “guerra é travada no terreno, mas também na informação”, como aponta Daniele Rinaldo, um dos pesquisadores responsáveis.

A equipe, composta por economistas e geógrafos de quatro instituições, combinou mapas de danos estruturais, elaborados a partir de imagens de satélite de alta resolução, com medições de luminosidade noturna. A luminosidade noturna é um parâmetro reconhecido na economia do desenvolvimento para estimar a atividade econômica de uma região. A perda média de luminosidade nas zonas atingidas atingiu 68,5%, chegando a impressionantes 80,1% nas áreas mais afetadas desde o início da guerra.

Destruição acelerada e suas consequências imediatas

Os dados revelam que a intensidade da destruição foi mais acentuada nos três primeiros meses do conflito. Nesse período crítico, mais de 60% do território foi danificado pela primeira vez, contribuindo significativamente para a maior parte do impacto econômico Gaza total. Essa concentração inicial de danos sugere uma paralisação quase instantânea das atividades produtivas e comerciais.

Daniele Rinaldo enfatiza que o estudo se concentra no impacto imediato da destruição física sobre a atividade econômica. “Não estamos contando as implicações de longo prazo, o impacto sobre a saúde, o que a destruição e a pobreza vão causar daqui para frente”, explica. Contudo, a magnitude da perda de 75,3% do PIB de Gaza, que em áreas mais severamente atingidas alcançou 97%, projeta um futuro de desafios imensos para a recuperação e reconstrução.

Validação dos dados e o futuro da região

Para converter a queda de luminosidade em valores econômicos concretos, a equipe de pesquisa calculou a interação entre as características luminosas com o Produto Interno Bruto (PIB) e os gastos domésticos. A validade dessa correlação foi testada e confirmada por uma análise da guerra de 2014, onde “os dois sinais se alinharam muito bem, o que indica que estão medindo algo semelhante”, segundo Rinaldo. Mesmo ao considerar a possibilidade de cortes de eletricidade impostos por Israel, os resultados da pesquisa permaneceram consistentes, reforçando a robustez das conclusões.

O cenário de devastação em Gaza, com quase 68% da área construída destruída, não é apenas uma estatística; é a perda de lares, escolas, hospitais, mercados e toda a infraestrutura que sustenta a vida de milhões de pessoas. O impacto econômico Gaza, medido em bilhões de dólares e em percentuais alarmantes do PIB, representa a aniquilação de meios de subsistência e a condenação de gerações a um ciclo de pobreza e dependência. A resiliência da população, como as crianças que ainda encontram espaço para jogar futebol em meio aos escombros, contrasta com a urgência de uma resposta global para a reconstrução e a garantia de um futuro digno.

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