Um incidente aéreo dramático ocorrido em julho, envolvendo um voo da Malta Air, subsidiária da Ryanair, continua a gerar controvérsia, com o presidente-executivo da companhia aérea, Michael O’Leary, contestando veementemente o relato de um passageiro. O homem, que estava em um voo de Tessalônica, na Grécia, para a Alemanha, afirma ter sido parcialmente sugado por uma janela estilhaçada, uma versão que O’Leary refuta categoricamente. O caso levanta questões importantes sobre segurança aérea, a experiência dos passageiros em situações de emergência e a responsabilidade das companhias.
A disputa ganhou novos contornos na última quinta-feira, 11 de setembro de 2026, quando O’Leary se pronunciou após a assembleia geral anual da empresa em Dublin. Ele insistiu que o passageiro permaneceu seguro em seu assento pelo cinto de segurança, apesar da janela ao seu lado ter se estilhaçado a cerca de 16 mil pés de altitude. Essa declaração contrasta diretamente com o testemunho do passageiro e de um relatório de segurança oficial, adicionando camadas de complexidade à narrativa do ocorrido.
Detalhes do Incidente e a Versão do Passageiro
O passageiro em questão, Ljubisa Karovic, de 61 anos, residente na Sérvia, relatou uma experiência aterrorizante. Segundo ele e seu advogado, Vasilis Tsiaras, a cabeça, uma das mãos e parte do tronco de Karovic foram puxadas para fora da janela do Boeing 737. A esposa de Karovic, Svetlana, que estava sentada em uma fileira atrás, teria corrido para ajudá-lo, segurando seus pés, com o auxílio de outros passageiros.
Karovic, que falou ao The Guardian após receber alta de um hospital grego em julho, apresentava ferimentos visíveis, incluindo um colar cervical, queimaduras e hematomas no braço direito, axila e peito. Ele expressou alívio por estar vivo, atribuindo sua sobrevivência ao cinto de segurança e, talvez, ao destino. O incidente foi desencadeado por uma colisão com uma ave, que danificou uma das ventoinhas do motor do avião. As pás do motor ricochetearam, atingindo a fuselagem e estilhaçando a janela da cabine.
A Controvérsia e a Posição da Companhia Aérea
Michael O’Leary, conhecido por sua postura direta, não poupou críticas à versão do passageiro. "Não acreditamos que qualquer parte do corpo dele tenha passado pela janela, mas ele certamente foi sugado em direção a ela em circunstâncias muito dramáticas", disse o CEO. Ele foi além, questionando a credibilidade da esposa de Karovic. "Ele não ficou parcialmente para fora da janela, e sua esposa, que afirma tê-lo salvado segurando seus pés, certamente está um tanto desconectada da realidade, considerando que estava sentada três fileiras atrás dele."
A posição da Ryanair, através de seu CEO, sugere uma tentativa de minimizar a gravidade do incidente, focando na segurança do cinto de segurança e na distância da esposa. No entanto, essa abordagem tem sido duramente criticada pelo advogado de Karovic, que insiste na existência de múltiplas testemunhas oculares que corroboram a versão de seu cliente.
Relatório de Segurança e Evidências de Testemunhas
Contrariando a narrativa de O’Leary, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) divulgou um relatório no mês passado que oferece uma perspectiva diferente. O documento descreve que, após a tripulação sentir uma "forte vibração contínua", um comissário de bordo "percebeu que o passageiro no assento 11F estava parcialmente preso em uma janela danificada da cabine e que a janela inteira havia desaparecido". Este relato oficial, conduzido a pedido das autoridades gregas, adiciona peso à versão do passageiro.
O advogado Vasilis Tsiaras reforçou a existência de quatro a cinco testemunhas que viram Karovic ser parcialmente puxado para fora da janela, além dos ferimentos do cliente que, segundo ele, são consistentes com o relato. "Tenho testemunhas oculares que estavam no avião e viram o que aconteceu", afirmou Tsiaras. Fotos e vídeos da cabine, que circularam na internet após o voo, mostravam a janela danificada e passageiros utilizando máscaras de oxigênio, evidenciando a situação de emergência a bordo.
Ação Judicial e o Debate sobre Indenização
Após o incidente, o avião retornou ao aeroporto de Tessalônica, e Karovic recebeu atendimento médico a bordo antes de ser hospitalizado. Atualmente, seu advogado, Vasilis Tsiaras, representa cerca de 80 passageiros do voo que planejam entrar com uma ação judicial contra a companhia aérea. A magnitude do número de passageiros envolvidos sugere uma preocupação coletiva com a segurança e o tratamento pós-incidente.
O’Leary reconheceu que Karovic sofreu ferimentos e tem direito a uma indenização, mas expressou descontentamento com o que chamou de "advogados caçadores de indenizações", afirmando que o homem "não receberá milhões e milhões". Ele reiterou que a Ryanair contestará judicialmente a alegação de que qualquer parte do corpo do passageiro tenha sido puxada para fora da janela. Este posicionamento indica que a batalha legal será intensa e focada nos detalhes da extensão do incidente e suas consequências.
O caso do voo da Malta Air continua a ser um ponto de discórdia entre a Ryanair e os passageiros afetados, com versões conflitantes e um relatório oficial que aponta para a gravidade da situação. Acompanhe o Diário Global para as últimas atualizações sobre este e outros temas relevantes, garantindo acesso a informações aprofundadas e contextualizadas sobre os fatos que moldam o cenário global.

