A transformação digital no sistema de saúde brasileiro atingiu um novo patamar. Segundo dados da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada nesta terça-feira (12), a inteligência artificial (IA) já é uma realidade em 18% dos estabelecimentos de atendimento do país. O levantamento, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), revela uma disparidade entre os setores: enquanto 21% das instituições privadas já incorporaram a tecnologia, o índice nos estabelecimentos públicos é de 11%.
A pesquisa, que ouviu 3.270 gestores, aponta que a adoção dessas ferramentas não é uniforme e reflete as diferentes capacidades de investimento e infraestrutura tecnológica entre as redes de atendimento. O estudo é conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), braço do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e busca mapear como a inovação está sendo integrada ao cotidiano clínico e administrativo.
Aplicações práticas da inteligência artificial no setor
A presença da IA na rotina hospitalar e ambulatorial vai muito além da automação básica. O estudo detalha que a principal finalidade da tecnologia, citada por 45% dos estabelecimentos que a utilizam, é a organização de processos clínicos e administrativos. Essa aplicação visa otimizar o fluxo de pacientes e reduzir gargalos burocráticos que frequentemente sobrecarregam as unidades de saúde.
Além da gestão, a inteligência artificial desempenha papéis cruciais na segurança digital (36%), na melhoria da eficiência dos tratamentos (32%) e na logística interna (31%). O suporte ao diagnóstico, uma das áreas mais promissoras da medicina moderna, já conta com o auxílio de algoritmos em 26% dos estabelecimentos, enquanto o apoio à dosagem de medicamentos é realizado por 14% das instituições. O uso de tecnologias como a internet das coisas (IoT) e robótica conectada também começa a aparecer, embora ainda em patamares iniciais, com 9% e 5% de adesão, respectivamente.
Barreiras para a expansão tecnológica
Apesar do avanço, a implementação em larga escala enfrenta desafios estruturais. Em hospitais com mais de 50 leitos, os gestores apontam o custo elevado como o principal entrave, citado por 63% dos entrevistados. A falta de priorização institucional, que atinge 56% das unidades, e as limitações técnicas ligadas à qualidade dos dados e à capacitação profissional (51%) completam o cenário de dificuldades.
Especialistas reforçam que o sucesso dessa transição depende de um ecossistema robusto. Segundo Luciana Portilho, coordenadora de projetos do Cetic.br, o setor precisa de profissionais qualificados e de diretrizes claras. A consolidação de marcos regulatórios é apontada como um pilar fundamental para garantir que a adoção da IA ocorra de forma ética, protegendo informações sensíveis dos pacientes e assegurando a segurança no cuidado clínico.
Digitalização do atendimento ao paciente
Além da inteligência artificial, a pesquisa TIC Saúde destaca o crescimento dos serviços digitais voltados diretamente ao público. Hoje, 39% dos estabelecimentos permitem que pacientes visualizem resultados de exames pela internet, enquanto 34% oferecem agendamento de consultas online. O agendamento de exames por meios digitais já é uma realidade em 32% dos locais pesquisados, sinalizando uma mudança gradual na experiência do usuário dentro do sistema de saúde.
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