Em um cenário de crescentes tensões geopolíticas no Golfo Pérsico, o Irã anunciou, em 18 de maio de 2026, que está elaborando um protocolo para reabrir o estratégico Estreito de Hormuz. A medida, contudo, virá acompanhada de uma condição significativa: navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra contra a República Islâmica serão impedidos de trafegar pela vital via marítima. A informação foi confirmada por Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, em entrevista concedida à Folha em Teerã.
A decisão iraniana surge em um momento delicado, com o estreito bloqueado desde 28 de fevereiro, após o início dos ataques dos EUA e Israel. Este bloqueio tem gerado preocupações globais, dado que Hormuz é responsável pela passagem de aproximadamente 20% do petróleo e gás liquefeito mundiais, tornando-o um ponto nevrálgico para a economia energética global. A importância estratégica do Estreito de Hormuz é um tema constante no debate sobre segurança energética global.
O plano iraniano para o Estreito de Hormuz
O porta-voz Esmaeil Baqaei detalhou que o novo protocolo visa garantir a passagem segura de embarcações, ao mesmo tempo em que considera as preocupações de segurança nacional do Irã. Segundo ele, os Estados costeiros têm o direito de impedir a passagem de navios de agressores. “Os EUA, Israel e seus apoiadores, aqueles Estados que foram cúmplices no crime de agressão, não podem ter permissão para passar pelo Estreito de Hormuz por violar a soberania, o interesse nacional e a segurança da República Islâmica do Irã”, afirmou Baqaei.
Ainda de acordo com o porta-voz, Teerã está em contato próximo com diversas nações para assegurar que suas embarcações possam transitar sem impedimentos. Após a entrevista, autoridades iranianas anunciaram a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, um novo órgão regulador encarregado de gerenciar o trânsito na região, reforçando a intenção do Irã de exercer controle sobre a passagem.
Contexto de escalada e negociações diplomáticas
O anúncio de Teerã ocorre em meio a um cenário de alta tensão. O Estreito de Hormuz, que estava aberto antes de 28 de fevereiro, foi bloqueado como resposta direta aos ataques de Washington e Tel Aviv. O porta-voz iraniano enfatizou que a comunidade internacional deve responsabilizar os EUA pela atual situação no Golfo Pérsico.
Paralelamente, o Irã continua engajado em negociações de paz mediadas pelo Paquistão, tendo enviado uma resposta às demandas americanas. A diplomacia, no entanto, é permeada por ameaças. Pouco antes da entrevista, o então presidente americano, Donald Trump, havia declarado que adiaria uma ofensiva contra o Irã prevista para 19 de maio, atendendo a pedidos de líderes de países do Golfo. Contudo, Trump ressaltou que Washington estava “pronto para um ataque em grande escala, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado”, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo.
Exigências iranianas e o direito internacional
Além da questão da passagem em Hormuz, o Irã tem reiterado suas exigências para a normalização da situação. Teerã demanda a liberação de seus ativos bloqueados e a remoção das sanções unilaterais impostas, que têm impactado severamente sua economia. A posição iraniana se baseia no entendimento de que, como Estado costeiro ao lado de Omã, possui o direito de garantir a segurança e a soberania em suas águas territoriais.
Baqaei defendeu que a garantia de passagem segura deve ser feita sem prejudicar a soberania e a segurança nacional do Irã. Esta interpretação do direito marítimo internacional, embora contestada por alguns, é central para a estratégia iraniana de controle sobre o estreito, um ponto de estrangulamento crucial para o fluxo de energia global.
Implicações geopolíticas e econômicas da medida
A implementação do protocolo iraniano, com a exclusão de navios de potências ocidentais e de Israel, pode ter profundas implicações geopolíticas e econômicas. No plano geopolítico, a medida pode intensificar ainda mais as tensões no Golfo Pérsico, uma região já volátil. A restrição de passagem para navios americanos e israelenses pode ser vista como um ato de provocação, potencialmente levando a retaliações ou a uma escalada militar.
Economicamente, embora o Irã garanta a passagem para outros países, a incerteza e a complexidade do tráfego em Hormuz podem afetar os preços do petróleo e do gás, impactando consumidores e mercados globais. A criação de um novo órgão regulador iraniano, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, adiciona uma camada de burocracia e controle que pode ser vista com desconfiança por parte da comunidade internacional, especialmente por aqueles que dependem da livre navegação na área. A situação exige atenção contínua e uma análise aprofundada dos desdobramentos.
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