16.jul.25/Folhapress

Hospital do Servidor de SP sob denúncia de residentes por jornadas de até 90 horas

Saúde

Residentes do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), localizado em São Paulo, estão no centro de uma grave denúncia que expõe a realidade de jornadas de trabalho exaustivas, chegando a até 90 horas semanais. Esse regime, que ultrapassa significativamente o limite legal de 60 horas, foi formalmente reportado ao Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), levantando preocupações sobre a saúde dos profissionais e a segurança dos pacientes.

A situação, que afeta programas de residência em áreas cruciais como ortopedia, neurocirurgia, cirurgia geral, otorrinolaringologia e ginecologia e obstetrícia, revela um cenário de intensa pressão. Médicos que preferiram manter o anonimato relataram à imprensa a exaustão física e psicológica como consequências diretas dessas condições de trabalho, que, segundo eles, comprometem não apenas o bem-estar dos residentes, mas também a qualidade do atendimento prestado à população.

A Denúncia e o Drama das Jornadas Exaustivas no Hospital do Servidor

Os relatos dos residentes pintam um quadro preocupante de sobrecarga. Eles descrevem plantões de 12 horas sem direito a pausas para alimentação ou hidratação, além de uma rotina que se estende das 6h às 19h, de segunda a sexta-feira. Essa carga horária, que por si só já excede o limite semanal, é agravada pela ausência de registro de ponto, dificultando a fiscalização e a comprovação das horas trabalhadas.

As consequências para a saúde mental e física dos jovens profissionais são alarmantes. Muitos desenvolveram quadros de depressão e ansiedade, enquanto outros optaram por desistir da residência no HSPE, incapazes de suportar a rotina extenuante. A preocupação se estende à segurança dos pacientes, uma vez que a exaustão dos médicos pode levar a erros e falhas no atendimento, colocando vidas em risco.

O Que Diz a Lei e a Resposta do Iamspe sobre as Acusações

Em resposta às denúncias, o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), gestor do hospital, afirmou que segue a legislação vigente. Em nota, a instituição declarou ter prestado todos os esclarecimentos solicitados pelo CNRM e que está colaborando plenamente com a investigação em curso. O Iamspe também destacou que seu programa de residência é um dos mais reconhecidos do Brasil, com baixa taxa de desistência, registrando apenas quatro saídas entre 7.175 inscritos para as 238 vagas oferecidas em 2026.

A Lei 6.932/1981 é clara ao estabelecer a carga horária máxima para médicos residentes em 60 horas semanais, incluindo até 24 horas de plantão. Além disso, a legislação garante um dia de folga por semana, 30 dias de férias anuais e a reserva de 10% a 20% da jornada para atividades teóricas. No entanto, a realidade descrita pelos residentes do HSPE, e corroborada por entidades de classe, aponta para um descumprimento frequente dessas diretrizes legais.

A Realidade da Residência Médica no Brasil e os Riscos à Formação

O problema das jornadas exaustivas na residência médica não é um caso isolado do HSPE, mas sim um desafio sistêmico na saúde brasileira. Augusto Ribeiro, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, ressalta que a legislação é frequentemente desrespeitada em diversas unidades de saúde pelo país. A escassez de vagas de residência, aliada à intensa competição por elas, leva muitos médicos recém-formados a aceitar condições de trabalho precárias.

Segundo Ribeiro, a falta de financiamento e a dificuldade na reposição de quadros no Hospital do Servidor Público Estadual contribuem para que os residentes, que deveriam estar em processo de aprendizado supervisionado, acabem assumindo funções de médicos assistenciais. Essa sobrecarga de responsabilidade compromete gravemente a formação profissional, gerando um ciclo vicioso de exaustão e, em última instância, impactando a qualidade dos serviços de saúde oferecidos à população.

A denúncia no Hospital do Servidor de SP serve como um alerta crucial para a necessidade de fiscalização rigorosa e de um debate aprofundado sobre as condições de trabalho e formação dos futuros médicos no Brasil. O Diário Global continuará acompanhando os desdobramentos deste caso e de outras questões relevantes que afetam a saúde pública e o bem-estar dos profissionais. Mantenha-se informado com nossa cobertura aprofundada e contextualizada sobre os temas mais importantes do país e do mundo.

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