Reconhecimento à investigação jornalística na Amazônia
A série Dois Mundos, produzida pela Folha e veiculada através do podcast Café da Manhã, foi a grande vencedora da categoria reportagem audiovisual no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação. O anúncio oficial ocorreu na noite de quinta-feira (11), em cerimônia realizada no Itamaraty, em Brasília, consolidando a relevância do trabalho investigativo sobre os direitos de povos indígenas e a preservação ambiental.
O prêmio, promovido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, integra um esforço nacional de memória e reparação. A iniciativa homenageia o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, brutalmente assassinados em 5 de junho de 2022, em uma emboscada na região da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. O caso, que ganhou repercussão global, expôs a fragilidade das políticas de proteção na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
O impacto da investigação sobre Tadeo Kulina
A série premiada, composta por quatro episódios publicados entre 31 de maio e 21 de junho de 2025, mergulhou nas circunstâncias da morte de Tadeo Kulina. O indígena, de recente contato, desapareceu de uma maternidade pública em Manaus e foi encontrado sem vida no Instituto Médico-Legal (IML) mais de uma semana depois.
A apuração revelou evidências cruciais que culminaram na reabertura do caso, demonstrando o papel essencial do jornalismo na fiscalização de órgãos públicos e na defesa dos direitos humanos. O trabalho foi conduzido pelo repórter especial Vinicius Sassine, com edição de som de Raphael Concli e coordenação de Daniel E. de Castro, Gustavo Simon e Magê Flores.
Memória e compromisso com a verdade
Durante a cerimônia no Itamaraty, o governo brasileiro prestou homenagens aos familiares das vítimas e formalizou um pedido de desculpas pelas falhas estatais que culminaram na tragédia de 2022. Bruno Pereira, servidor da Funai, enfrentou perseguições durante o governo de Jair Bolsonaro, o que o levou a afastar-se de suas funções oficiais antes do crime. Dom Phillips, por sua vez, acompanhava o indigenista para documentar a realidade da floresta.
Além do reconhecimento na categoria audiovisual, a Folha também foi premiada na categoria reportagem em texto. O trabalho Expedição ao Mamoriá Grande: indigenistas decifram sinais na floresta para proteger grupos isolados da Amazônia, de autoria de Leão Serva e publicado em 3 de janeiro de 2026, conquistou o terceiro lugar, reforçando a cobertura consistente do veículo sobre a região amazônica.
O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos sobre a proteção dos povos originários e os avanços das investigações que buscam justiça para os crimes cometidos na Amazônia. Continue conosco para se manter informado com reportagens aprofundadas e análises sobre os temas que definem o cenário nacional e internacional.
