O ministro Kassio Nunes Marques se prepara para assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, com uma missão clara: fortalecer a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas e, ao mesmo tempo, demarcar um estilo de gestão distinto de seu antecessor. A preocupação central do magistrado é evitar a retomada de questionamentos sobre a lisura do processo eleitoral, tema que foi alvo de intensa campanha de desinformação nas eleições de 2022.
Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Kassio Nunes Marques teme que as campanhas de desinformação, impulsionadas por tecnologias como as deepfakes, ressurjam com força no pleito de 2026. Para blindar a Justiça Eleitoral contra essas investidas, ele já articulou uma série de medidas preventivas e proativas, buscando restaurar e reforçar a confiança pública no sistema.
Desafios da desinformação e o legado de 2022
A experiência das eleições de 2022 deixou marcas profundas na Justiça Eleitoral brasileira. Naquela ocasião, o então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, precisou adotar uma postura firme e interventiva para combater a disseminação massiva de notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral. O clã Bolsonaro, em particular, criticou duramente as ações de Moraes, que incluíram a remoção de conteúdos considerados inverídicos e a responsabilização de propagadores de desinformação.
Jair Bolsonaro, durante seu mandato, estimulou repetidamente teorias conspiratórias, alegando, sem apresentar provas, fraudes nas eleições de 2018 e até mesmo que teria vencido no primeiro turno. Esse histórico serve de alerta para a gestão de Kassio Nunes Marques, que busca uma abordagem que, embora eficaz, seja percebida como menos centralizadora e mais colaborativa.
Estratégias para fortalecer a segurança das urnas
Para enfrentar a possível reedição de questionamentos sobre a integridade do voto, o novo presidente do TSE tem se mobilizado em diversas frentes. Uma das primeiras ações foi solicitar um pente-fino detalhado nas urnas eletrônicas disponíveis para as próximas eleições, envolvendo os presidentes dos tribunais eleitorais estaduais (TREs).
Além disso, logo após sua posse, Kassio Nunes Marques conduzirá um teste público dos equipamentos, agendado de quarta-feira, 13 de maio, a sexta-feira, 15 de maio. Essa iniciativa visa demonstrar a transparência e a robustez do sistema, que está em uso no país desde 1996 e nunca registrou fraude comprovada.
O ministro também tem mantido um diálogo constante com assessores, tribunais locais, empresas de tecnologia e universidades. O objetivo é ampliar os meios de segurança dos equipamentos e das transmissões dos votos, firmando convênios na área de cibersegurança para proteger o processo eleitoral de ataques digitais.
A busca por um novo perfil na presidência do TSE
Kassio Nunes Marques expressou a pessoas próximas o desejo de imprimir um estilo diferente daquele adotado por Alexandre de Moraes em 2022. Sua gestão buscará uma postura de menor intervenção direta, priorizando a prevenção e a colaboração institucional. Uma das medidas propostas para combater críticas é a implementação de uma dupla checagem nas eleições, com a presença de dois eleitores no início e dois no final do dia de votação, garantindo a validade do processo mesmo na ausência de fiscais partidários.
Outra novidade importante, fixada por Kassio enquanto relator das resoluções eleitorais aprovadas pela corte este ano, é a possibilidade de a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fiscalizar todo o processo eleitoral diretamente. Essa medida amplia a transparência e o controle social sobre as eleições, envolvendo uma instituição de grande credibilidade na defesa da legalidade.
O novo presidente do TSE também planeja reunir informações detalhadas sobre o parque de urnas, incluindo a idade dos equipamentos, a quantidade disponível em cada zona eleitoral, e as condições de baterias e componentes. Essa base de dados permitirá uma gestão mais eficiente e proativa na manutenção e substituição dos equipamentos.
O futuro das eleições de 2026 sob nova gestão
A gestão de Kassio Nunes Marques à frente do TSE será crucial para as eleições de 2026, que já contam com Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato ao Planalto. O contexto político polarizado e a persistência de narrativas desinformativas exigem uma liderança que consiga equilibrar a firmeza na defesa da democracia com a busca por um consenso mais amplo sobre a lisura do processo.
As medidas propostas pelo ministro visam não apenas aprimorar a segurança técnica das urnas eletrônicas, mas também reconstruir a confiança do eleitorado e dos atores políticos. A transparência, a fiscalização ampliada e a colaboração com diversos setores são pilares dessa nova abordagem, que busca garantir a integridade do voto e a estabilidade democrática do país. Para mais informações sobre o sistema eleitoral brasileiro, acesse o site oficial do TSE.
Acompanhe o Diário Global para ficar por dentro dos desdobramentos da Justiça Eleitoral, da política nacional e de outros temas relevantes. Nosso compromisso é oferecer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os fatos que moldam o Brasil e o mundo.
