10.abr.2026/AFP

Keiko Fujimori assume presidência do Peru em sua quarta tentativa, impulsionada por legado paterno

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Após uma década marcada por profunda instabilidade política, o Peru elegeu sua nova presidente. Keiko Fujimori, figura central da política nacional e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, foi proclamada vencedora das eleições presidenciais, alcançando o cargo em sua quarta tentativa consecutiva. A vitória, confirmada quase um mês após o pleito pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), reflete as divisões profundas que permeiam a sociedade peruana.

A líder populista de direita superou o esquerdista Roberto Sánchez por uma margem estreita de aproximadamente 50 mil votos, com 50,135% dos votos contra 49,865% do adversário. Este resultado apertado não apenas prenuncia um mandato desafiador para Keiko Fujimori, mas também ecoa a polarização que tem caracterizado a política do país andino nos últimos anos.

A persistência de Keiko Fujimori e a instabilidade peruana

A trajetória de Keiko Fujimori rumo à presidência é um testemunho de persistência em um cenário político turbulento. Nos últimos dez anos, a Casa de Pizarro, sede do governo peruano, abrigou nove presidentes, dos quais quatro foram destituídos. O Congresso, composto por 130 cadeiras, viu dez partidos diferentes, e apenas três conseguiram ser eleitos mais de uma vez. As ruas de cidades peruanas foram palco de ao menos seis grandes ciclos de protestos, evidenciando a fragilidade das instituições e a insatisfação popular.

Nesse contexto de volatilidade, uma constante se mantinha: Keiko Fujimori sempre chegava ao segundo turno das eleições presidenciais, mas invariavelmente era derrotada. Sua vitória em 2024, após três tentativas frustradas, marca uma virada significativa. A disputa atual foi quase uma revanche de 2021, quando ela enfrentou Pedro Castillo, padrinho político de Roberto Sánchez, em um pleito igualmente acirrado e judicializado.

O peso do legado Fujimorista na política do Peru

A figura de Keiko Fujimori é indissociável do legado de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000. O período foi marcado por medidas controversas, incluindo um autogolpe em 1992, que desmantelou o sistema político da época e é frequentemente apontado como um dos catalisadores do caos institucional que o país vivencia desde então. Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção, falecendo em 2024 enquanto cumpria sua pena.

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