Um novo bombardeio aéreo israelense foi registrado no sul do Líbano neste domingo, 28 de junho de 2026, de acordo com a agência pública libanesa NNA. O ataque, que atingiu as proximidades das localidades de Deir Seryan e de Taybeh, ocorre apenas dois dias após a assinatura de um acordo entre os dois países, que visava estabelecer uma “paz duradoura” na região.
A escalada de violência lança dúvidas sobre a efetividade do pacto e a estabilidade de uma das áreas mais voláteis do Oriente Médio. Este incidente sucede outros ataques israelenses que, no sábado, resultaram na morte de uma pessoa no sul do Líbano, conforme informações do Ministério libanês da Saúde.
Acordo de paz sob fogo cruzado
O acordo, assinado na sexta-feira, 26 de junho de 2026, com o apoio dos Estados Unidos, tinha como objetivo principal definir um caminho para a “paz e segurança duradouras” entre Líbano e Israel, países que tecnicamente permanecem em estado de guerra há décadas. Uma das condições cruciais do pacto era a retirada israelense do território libanês, condicionada ao desarmamento do movimento xiita Hezbollah.
No entanto, a reação ao acordo foi imediata e polarizada. Enquanto o presidente libanês, Joseph Aoun, conversou por telefone com Donald Trump no sábado, 27 de junho de 2026, garantindo que o Estado libanês “assumiria suas responsabilidades” na implementação do acordo, o Hezbollah expressou forte oposição, minando a credibilidade do pacto desde o seu anúncio.
A forte oposição do Hezbollah
O movimento xiita Hezbollah, uma força política e militar significativa no Líbano, manifestou-se firmemente contra o acordo. O deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, declarou no domingo que o pacto “não será aplicado”, alertando para o risco de um “conflito interno” no país. Suas palavras ecoam a postura do líder do Hezbollah, Naim Qasem, que no sábado classificou o texto como “humilhante, vergonhoso, que representa uma renúncia à soberania”.
Qasem acusou as autoridades libanesas de “legitimarem a continuação da ocupação” israelense. Em uma cerimônia comemorativa, Fadlallah reforçou a posição do grupo: “O acordo nunca verá a luz do dia e não será aplicado. Nosso dedo continuará no gatilho, continuaremos nosso caminho de resistência para alcançar nossos objetivos e exerceremos nosso direito legítimo de defender nosso povo.” A retórica beligerante do Hezbollah sublinha a complexidade de qualquer tentativa de paz na região, onde o grupo tem um papel central e uma base de apoio considerável.
Respostas de Israel e a escalada da violência
Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, indicou no sábado que havia ordenado às tropas “se prepararem para uma permanência prolongada” no setor do sul do Líbano que ocuparam após o início, em 2 de março, do novo conflito entre Israel e Hezbollah. Essa declaração sugere que Israel não pretende recuar facilmente, mesmo com a assinatura do acordo de paz, o que intensifica a percepção de que o pacto pode ser inviável.
A violência na região tem sido constante. No sábado, uma pessoa morreu em um bombardeio aéreo israelense sobre a localidade meridional de Nabatieh al Fawqa, segundo o Ministério libanês da Saúde. A agência NNA também informou sobre outros bombardeios israelenses na região ao longo do dia. O exército israelense, por sua vez, confirmou ter atacado combatentes do Hezbollah “na região de Nabatieh”, perto da zona que qualifica como “zona de segurança”.
Implicações e o futuro incerto da região
A sequência de ataques e a forte oposição do Hezbollah ao acordo de paz desenham um cenário de grande incerteza para o Líbano e a região. A fragilidade do pacto, que mal teve tempo de ser assimilado, já é evidente diante da persistência dos confrontos e das declarações de ambos os lados. A presença militar israelense no sul do Líbano e a recusa do Hezbollah em desarmar-se são pontos de atrito que continuam a alimentar o ciclo de violência.
A comunidade internacional, que mediou o acordo, observa com preocupação os desdobramentos, enquanto a população local sofre as consequências diretas dos conflitos, como a destruição e a perda de vidas. A perspectiva de um “conflito interno” no Líbano, mencionada por Fadlallah, adiciona uma camada de complexidade e perigo à já delicada situação política e social do país.
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