A formação de um ícone do empreendedorismo liberal
José Salim Mattar não é apenas o nome por trás de uma das maiores potências de mobilidade da América Latina; ele é, antes de tudo, um dos principais expoentes do pensamento liberal no Brasil. Sua trajetória, que mistura rigor disciplinar e uma leitura precoce de clássicos da economia, moldou a fundação da Localiza. Para Mattar, o sucesso empresarial nunca foi um fim em si mesmo, mas a prova prática de que o desenvolvimento econômico floresce onde há liberdade para empreender e menos interferência estatal.
liberalismo: cenário e impactos
A gênese dessa mentalidade remonta à sua juventude em Belo Horizonte. Enquanto muitos de seus contemporâneos focavam em interesses típicos da idade, Mattar mergulhava em obras como A Riqueza das Nações, de Adam Smith, e O Caminho da Servidão, de Friedrich Hayek. Essas leituras, segundo o próprio empresário, foram o alicerce de uma visão de mundo que ele defende até hoje: a de que o Estado, quando agigantado, torna-se um entrave à prosperidade, enquanto o protagonismo privado é o motor real da sociedade.
Pragmatismo e a fundação da Localiza
A história da Localiza é, em essência, uma crônica de superação de obstáculos. Em um cenário marcado pelo primeiro choque do petróleo na década de 1970, a ideia de abrir uma locadora de veículos parecia, para muitos, um contrassenso econômico. No entanto, Mattar utilizou o que chama de “conta de libanês” — um cálculo simples de viabilidade — para identificar o potencial do negócio. Ao lado de Antônio Cláudio Brandão Resende, ele iniciou a operação com apenas seis Fuscas usados, assumindo funções que iam desde a manutenção dos veículos até o atendimento direto ao cliente.
A estratégia de expansão da empresa seguiu um padrão metódico: “tomar a sopa pela borda”. Em vez de buscar mercados saturados, a companhia cresceu de forma gradual, adquirindo operações menores e ganhando escala onde a concorrência era menos agressiva. Esse pragmatismo também se manifestou na criação da divisão de seminovos, uma decisão estratégica que transformou o que seria um custo operacional em uma das engrenagens mais lucrativas da organização, eliminando intermediários e otimizando a margem de lucro.
A experiência no setor público e a frustração com o sistema
Em 2019, o empresário aceitou o desafio de integrar o governo federal como Secretário de Desestatização, a convite de Paulo Guedes. A missão era ambiciosa: desmantelar parte da máquina pública através de um amplo programa de privatizações. No entanto, o contato direto com a burocracia de Brasília revelou a Mattar uma realidade que ele descreve como um “Leviatã” travado, onde órgãos existem apenas para se fiscalizarem, impedindo o avanço de reformas estruturais em estatais estratégicas.
A frustração com a lentidão do sistema e a impossibilidade de privatizar grandes empresas, como a Petrobras, culminou em sua saída do governo em 2020. Longe de se retirar da vida pública, Mattar redirecionou sua energia para o campo das ideias. Inspirado pela trajetória de Antony Fisher, que fundou o Institute of Economic Affairs a conselho de Hayek, o empresário hoje dedica seu tempo ao Instituto Liberal e ao Instituto para Formação de Líderes (IFL), apostando que a mudança cultural é o único caminho sustentável para o Brasil.
O legado além das empresas
Hoje, Salim Mattar atua como um mentor e difusor de ideais. Sua crença de que “ideias podem iluminar a escuridão” reflete um compromisso de longo prazo com a educação e a formação de novas gerações. Ao criticar a carga tributária elevada e o sistema de governos de coalizão, ele mantém a mesma postura combativa que utilizou para construir seu império: a de que o Brasil precisa de um Estado enxuto e eficaz para que o cidadão possa, enfim, prosperar.
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