22.mai.2024/AFP

Manuel Adorni deixa chefia de gabinete de Milei após escândalo de corrupção

Últimas Notícias

O fim de uma gestão marcada por suspeitas

Após um período de três meses sob intensa pressão política e social, Manuel Adorni oficializou, neste sábado (27), sua renúncia ao cargo de chefe de gabinete do presidente da Argentina, Javier Milei. A saída do que já foi considerado o braço direito do governo ultraliberal ocorre em meio a um desgaste profundo causado por investigações de suposto enriquecimento ilícito, que colocaram o patrimônio do ex-ministro no centro de um dos maiores escândalos da atual gestão argentina.

Em uma carta publicada em sua conta na rede social X, Adorni buscou manter um tom de serenidade, afirmando deixar o posto com a “consciência tranquila e firme”. O político, que também atuou como porta-voz do governo até o dia 19 de junho, declarou que dormirá em paz com suas convicções, apesar da tempestade política que o forçou a abandonar o Executivo.

A origem das investigações e o desgaste público

O declínio da imagem de Adorni teve início em março, quando foi revelado que sua esposa, Betina Angeletti, integrou uma comitiva oficial da Presidência em viagem a Nova York sem possuir qualquer função pública ou oficial que justificasse a presença. O episódio abriu caminho para uma série de questionamentos sobre o uso de recursos públicos e a transparência de suas finanças pessoais.

Entre as denúncias mais graves que ganharam o noticiário estão os gastos elevados em uma viagem familiar às ilhas caribenhas de Aruba, estimados entre 14 mil e 15 mil dólares. Além disso, a aquisição de dois imóveis entre 2024 e 2025 — uma casa em um condomínio a 80 km de Buenos Aires e um apartamento avaliado em 230 mil dólares no bairro de Caballito — gerou suspeitas de incompatibilidade com os rendimentos declarados do ex-ministro.

A resistência de Milei e a pressão popular

Apesar da impopularidade crescente, o presidente Javier Milei manteve uma postura de defesa pública ao seu aliado durante meses. Em entrevista ao programa La Nación +, no dia 7 de maio, o mandatário chegou a classificar Adorni como uma pessoa honesta e criticou o que chamou de perseguição midiática, argumentando que o governo não deveria ceder à pressão de jornalistas em detrimento do princípio da presunção de inocência.

A realidade das ruas, contudo, mostrava um cenário distinto. Segundo dados do Ceop (Centro de Estudos de Opinião Pública) divulgados na última semana, cerca de 78% da população argentina defendia a renúncia do chefe de gabinete. O mal-estar, que antes era restrito à oposição, acabou por contaminar a base de aliados do governo nas últimas semanas, tornando a permanência de Adorni insustentável para a estabilidade da administração.

Desdobramentos e o futuro político

A saída de Adorni marca uma mudança de estratégia no governo Milei, que tentava, desde o dia 19 de junho, reduzir a exposição do funcionário ao retirá-lo da função de porta-voz. A longa carta de despedida, composta por três páginas, contrasta com o estilo habitual de comunicação do ex-ministro, conhecido por respostas curtas e ríspidas durante suas coletivas de imprensa.

O caso agora segue sob o escrutínio das autoridades competentes, enquanto o governo argentino busca reorganizar sua estrutura interna para conter os danos políticos causados pelo episódio. O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta crise e os impactos nas políticas do governo ultraliberal. Continue conosco para mais análises e informações atualizadas sobre os principais acontecimentos da política internacional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *