Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministério da Saúde retoma dose de reforço contra a poliomielite aos quatro anos

Saúde

Nova estratégia de imunização infantil

O Ministério da Saúde anunciou uma atualização estratégica no Calendário Nacional de Vacinação que impacta diretamente a proteção das crianças brasileiras. A partir de 3 de agosto, o país retoma a aplicação da dose de reforço contra a poliomielite para crianças de quatro anos. A medida visa fortalecer a barreira imunológica contra o poliovírus, garantindo que o Brasil mantenha o status de área livre da doença, conquistado em 1994.

A mudança central no esquema vacinal é a transição definitiva para o uso da vacina inativada poliomielite (VIP), que é administrada via injeção. O novo protocolo estabelece um cronograma rigoroso: três doses iniciais aos dois, quatro e seis meses de vida, seguidas por dois reforços, sendo o primeiro aos 15 meses e o segundo, agora restabelecido, aos quatro anos de idade.

Transição da gotinha para a vacina injetável

Durante décadas, a vacina oral poliomielite, popularmente conhecida como a “gotinha”, foi o símbolo da erradicação da paralisia infantil no Brasil. No entanto, a estratégia atual do governo federal prioriza exclusivamente a versão injetável (VIP). Essa transição técnica busca maior segurança e eficácia no esquema vacinal, alinhando o país às recomendações internacionais mais recentes de órgãos de saúde pública.

Para as famílias, a orientação é clara: crianças que ainda não completaram o esquema vacinal podem receber o imunizante até os quatro anos, 11 meses e 29 dias. Aquelas que já cumpriram as três doses iniciais e o primeiro reforço devem comparecer às unidades de saúde para a aplicação do segundo reforço aos quatro anos, respeitando o intervalo mínimo de seis meses entre as duas doses de reforço.

Segurança sanitária e colaboração técnica

A decisão de retomar o reforço aos quatro anos não foi tomada de forma isolada. Segundo nota oficial do Ministério da Saúde, o ajuste no calendário foi fruto de um amplo debate técnico com a Câmara Técnica Assessora em Imunizações (CTAI), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A poliomielite é uma doença viral grave, capaz de causar paralisia permanente, especialmente nos membros inferiores, e, em situações extremas, levar ao óbito. A transmissão ocorre pelo contato direto com pessoas infectadas ou pela ingestão de água e alimentos contaminados. O Brasil não registra casos de infecção pelo poliovírus selvagem desde 1989, conforme dados do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), e a manutenção de altas coberturas vacinais é o único caminho para evitar o retorno da doença ao território nacional.

Orientações para o esquema vacinal

O Ministério da Saúde reforça que o calendário é unificado, independentemente de onde o esquema tenha sido iniciado. Crianças que começaram a vacinação na rede privada e precisam completar o ciclo na rede pública devem seguir rigorosamente as mesmas orientações de prazos e doses. Para mais informações detalhadas sobre o calendário, os responsáveis podem consultar o portal oficial do Ministério da Saúde.

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