Morte em cirurgia plástica na Bahia revela histórico de denúncias contra médico

Morte em cirurgia plástica na Bahia revela histórico de denúncias contra médico

Saúde

A morte de Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, durante uma série de procedimentos estéticos no Hospital Vida, em Ilhéus, no sul da Bahia, trouxe à tona um histórico de queixas e processos envolvendo o cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback. O caso, ocorrido em 25 de agosto, reacendeu o debate sobre a segurança em intervenções estéticas e a fiscalização de profissionais da área na região.

Adriele buscava realizar quatro procedimentos simultâneos: mastopexia com prótese de silicone, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. A paciente não resistiu e faleceu durante a operação, um desfecho que agora é alvo de investigação pela Polícia Civil. A Secretaria de Saúde da Bahia determinou a interdição cautelar da unidade hospitalar, apontando a ausência de alvará sanitário para o funcionamento do centro cirúrgico.

Investigações e histórico de complicações

O caso de Adriele não é isolado. Relatos de pacientes apontam para um padrão de complicações pós-operatórias e desfechos fatais associados ao mesmo profissional. Em um dos episódios, o óbito de uma paciente, identificada pela reportagem como Mirela, foi registrado com causas ligadas a embolia pulmonar e trombose venosa profunda, condições que surgiram após a realização de uma cirurgia plástica conduzida por Ruback.

Outro relato, de Petrina Fonseca, 43, detalha um calvário de meses após uma lipoaspiração realizada em Porto Seguro. Segundo a paciente, a cicatrização falhou, resultando em uma lesão grave que exigiu tratamento prolongado. Petrina obteve uma sentença judicial favorável em primeira instância contra o cirurgião, reforçando o histórico de litígios que cercam a prática do médico no interior baiano.

Posicionamento da defesa e órgãos fiscalizadores

Em nota oficial, a assessoria jurídica de Rossini Tebaldi Ruback afirmou que não existe vínculo entre os episódios citados. A defesa sustenta que os casos de óbito são fatos isolados, com circunstâncias clínicas e temporais distintas, e atribuiu a morte de Adriele a uma reação anestésica rara. O médico mantém seus registros profissionais, CRM e RQE, ativos junto à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que acompanha as investigações policiais em curso. O órgão declarou que está analisando o histórico do profissional para avaliar a necessidade de medidas adicionais. A atuação do MP busca determinar se houve negligência, imperícia ou imprudência na condução dos procedimentos que resultaram em danos aos pacientes.

Impacto regional e segurança do paciente

O cirurgião, que atende em cidades como Itabuna, Vitória da Conquista, Eunápolis e Salvador, utiliza em suas campanhas o lema “viabilizando sonhos”. A repercussão dos casos tem gerado apreensão entre pacientes e profissionais de saúde, levantando questionamentos sobre a necessidade de maior rigor na fiscalização de clínicas e hospitais que realizam cirurgias de grande porte fora dos grandes centros urbanos.

O Conselho Federal de Medicina estabelece normas rígidas para a realização de procedimentos estéticos, visando garantir a segurança e a integridade física dos pacientes. A recorrência de denúncias contra um mesmo profissional serve como um alerta para que a população verifique não apenas a qualificação técnica, mas também a estrutura hospitalar oferecida para a realização de cirurgias complexas.

O Diário Global segue acompanhando o desdobramento das investigações policiais e os próximos passos do Ministério Público. Mantenha-se informado sobre este e outros temas relevantes para a sociedade brasileira através de nossa cobertura diária, pautada pela transparência e pelo compromisso com a informação de qualidade.

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