05.ago.25/Folhapress

OIT avança com convenção global para formalizar trabalhadores de aplicativos

Politica

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) deu um passo significativo em direção à garantia de direitos para milhões de trabalhadores em plataformas digitais ao aprovar a Convenção Internacional para os Trabalhadores em Aplicativos. O documento, que representa um marco nas relações trabalhistas globais, estabelece que os países-membros devem implementar medidas para assegurar direitos fundamentais, como a previdência social, e facilitar a formalização desses profissionais.

A decisão da OIT surge em um momento crucial, especialmente no Brasil, onde o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo tem sido intenso. Semanas antes da aprovação da convenção, o governo e o Congresso brasileiros adiaram para 2027 a votação de um projeto que visava regulamentar o setor. Essa postergação foi motivada pela forte resistência das plataformas digitais, que se opuseram, em particular, à proposta de remuneração mínima para os trabalhadores.

O avanço global para o trabalho por aplicativo digno

A nova convenção da OIT não apenas incentiva os países a criar mecanismos para a formalização do trabalho digital, mas também impõe a obrigatoriedade de garantir uma remuneração justa. O texto é claro ao determinar que, em casos de relação de emprego, a remuneração não pode ser inferior ao salário mínimo legal ou àquele negociado em acordos coletivos. Além disso, as plataformas serão compelidas a fornecer informações transparentes sobre pagamentos e quaisquer descontos aplicados, combatendo a opacidade que muitas vezes caracteriza essas relações.

O Brasil, como estado-membro e signatário de diversas convenções da OIT, tem a expectativa de que o documento seja aprovado por aclamação durante a Conferência Internacional do Trabalho, que ocorre nesta sexta-feira (12). A adesão do país a essa convenção reforçaria o compromisso com os direitos trabalhistas em um setor que cresce exponencialmente e que, por vezes, opera em uma zona cinzenta da legislação.

Direitos essenciais e a proteção do trabalhador digital

A convenção da OIT vai além da questão salarial, abordando uma série de outras proteções cruciais para os trabalhadores de aplicativos. Entre as medidas que os estados devem adotar, destacam-se ações para prevenir acidentes de trabalho, garantindo que o profissional possa interromper suas atividades diante de um risco iminente à vida ou à saúde. Embora o texto não obrigue os países a estabelecer um vínculo empregatício formal com as plataformas, ele exige uma série de obrigações e direitos que se aproximam muito de uma relação de trabalho tradicional, como a garantia à previdência social.

Outros pontos importantes listados na convenção incluem a promoção dos princípios e direitos fundamentais no trabalho, bem como a proteção contra qualquer forma de violência ou assédio. Essas diretrizes visam criar um ambiente de trabalho mais seguro e respeitoso para os milhões de pessoas que dependem dessas plataformas para seu sustento, muitas vezes em condições precárias e sem amparo legal adequado.

Transparência algorítmica e o futuro do trabalho

Um dos aspectos mais inovadores da convenção da OIT é a exigência de que as plataformas informem os trabalhadores sobre o uso de algoritmos para monitoramento, avaliação e tomada de decisões. Essa medida é fundamental em um cenário onde a gestão algorítmica se tornou uma ferramenta poderosa, mas muitas vezes opaca, na relação entre plataformas e trabalhadores. Com essa determinação, os trabalhadores terão o direito de receber explicações sobre decisões automatizadas que resultem em suspensão, bloqueio de conta ou eventual desligamento, garantindo maior transparência e justiça nas operações.

A aprovação desta convenção representa um chamado global para que os países-membros reavaliem e ajustem suas legislações, buscando equilibrar a inovação tecnológica com a proteção social. Para o Brasil, a convenção pode servir como um novo impulso para retomar o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo, considerando as diretrizes internacionais e a necessidade premente de garantir dignidade e direitos a uma categoria profissional em constante expansão.

O Diário Global continua acompanhando de perto os desdobramentos dessa importante convenção e seu impacto no cenário nacional e internacional. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, continue navegando em nosso portal, que oferece informação de qualidade e análises aprofundadas sobre os assuntos que moldam o nosso mundo.

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