Pequim endurece controle sobre drones após acidente em arranha-céu

Pequim endurece controle sobre drones após acidente em arranha-céu

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Medidas restritivas e programa de recompra em Pequim

O governo de Pequim iniciou uma ofensiva rigorosa para retirar drones de circulação na capital chinesa. A medida, que inclui um programa de recompra de aparelhos previamente cadastrados, surge como resposta direta a um grave acidente aéreo ocorrido em junho, quando uma aeronave de pequeno porte colidiu contra a Citic Tower, o edifício mais alto da cidade. A partir de 15 de novembro, novas normas de restrição ao espaço aéreo entrarão em vigor, proibindo a circulação desses dispositivos em áreas sensíveis da metrópole.

As autoridades locais deixaram claro que a fiscalização será intensificada. Segundo o jornal estatal Beijing Daily, órgãos de segurança pública realizarão patrulhas constantes e inspeções rigorosas para coibir o uso irregular. O governo estabeleceu um prazo para que os proprietários se adequem, oferecendo a opção de vender os equipamentos ao Estado por valores que podem chegar a 3.000 yuans, aproximadamente R$ 2.300, ou remover os aparelhos das zonas de exclusão aérea, cujos perímetros detalhados ainda estão sendo definidos.

O impacto do acidente na Citic Tower

O incidente que motivou a mudança na legislação chocou a população de Pequim, habituada a um ambiente de segurança pública extremamente controlado. A colisão na Citic Tower, localizada em um dos distritos empresariais mais movimentados da capital, resultou na morte do piloto e deixou 13 pessoas feridas. A aeronave, que partiu de uma escola de aviação nos arredores, chegou a sobrevoar uma área a apenas 7 km do complexo de Zhongnanhai, sede do governo chinês e local de trabalho do líder Xi Jinping.

Investigações policiais posteriores apontaram que o piloto, um homem de 66 anos, enfrentava problemas de saúde mental. Diários encontrados pelas autoridades indicaram que o indivíduo havia feito menções frequentes ao suicídio, o que levou os investigadores a concluírem que o ato foi deliberado. O episódio levantou alertas sobre a vulnerabilidade de infraestruturas críticas frente a aeronaves de pequeno porte, independentemente de sua finalidade original.

Tensões globais e o mercado de drones

A China ocupa uma posição central na indústria global de drones, sendo o maior fabricante mundial do setor comercial. A empresa DJI, sediada em Shenzhen, domina entre 70% e 80% do mercado internacional de aparelhos não militares. Contudo, o cenário geopolítico mudou a percepção sobre esses dispositivos. A eficácia demonstrada por drones — inclusive modelos comerciais adaptados — em conflitos como a guerra da Ucrânia transformou o que antes era um hobby recreativo em uma preocupação de segurança nacional para diversos países.

Enquanto cidades como Nova York já impõem proibições ao uso recreativo, a expectativa é que as restrições em Pequim sejam ainda mais severas. Proprietários de drones, como o fotógrafo amador Neil Liu, de 30 anos, expressaram frustração com a mudança repentina de postura do governo, que anteriormente incentivava a chamada “economia de baixa altitude”. Para muitos, a burocracia e as constantes exigências policiais para o uso dos aparelhos durante eventos políticos já haviam tornado a posse de um drone uma atividade de custo-benefício questionável.

O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta política de segurança em Pequim e como ela impacta o mercado tecnológico chinês. Continue conosco para se manter informado sobre os principais acontecimentos que moldam a política e a tecnologia ao redor do mundo, sempre com o compromisso de levar até você uma análise precisa e contextualizada dos fatos.

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