9.fev.2024/Folhapress

São Paulo registra sete casos de sarampo em 2026 e acende alerta para vacinação

Saúde

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, nesta terça-feira (30), dois novos casos de sarampo no estado, elevando para sete o total de infecções registradas em 2026. Os diagnósticos, ambos na capital paulista, reforçam a preocupação com a circulação do vírus e a baixa cobertura vacinal na região, apenas dois anos após o Brasil reconquistar a certificação de país livre da doença.

Os novos pacientes são uma mulher de 20 anos e um bebê de 6 meses, ambos sem histórico de vacinação. A mulher é mãe de um dos bebês que já havia sido diagnosticado com sarampo na semana anterior, indicando uma possível transmissão intrafamiliar e a necessidade de vigilância redobrada.

Relembrando o Sarampo e a Luta pela Erradicação

O sarampo é uma doença infecciosa grave e altamente contagiosa, causada por um vírus. Seus sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. Complicações podem levar a pneumonia, encefalite e até a morte, especialmente em crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas.

O Brasil tem um histórico recente de desafios com o sarampo. Em 2018, o país perdeu a certificação de área livre do vírus, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), após um surto que resultou em mais de 40 mil casos e 40 mortes. A baixa cobertura vacinal e a entrada do vírus pela fronteira com a Venezuela foram fatores cruciais para essa reintrodução.

A reconquista do status de país livre do sarampo ocorreu em novembro de 2024, após o último caso autóctone (contraído por transmissão local) ter sido registrado no Amapá em junho de 2022. Casos importados, ou seja, de pessoas que contraíram a doença fora do Brasil, não ameaçam isoladamente essa certificação. No entanto, o risco surge quando há transmissão sustentada dentro do território nacional, gerando novos contágios locais por um período de 12 meses.

Detalhes dos Novos Casos e a Resposta da Saúde Pública

Os dois novos casos foram identificados na capital paulista, em uma área próxima a Guarulhos. Além da mulher de 20 anos e do bebê de 6 meses, a pasta já havia confirmado, na semana anterior, outros três casos em bebês com idades entre 6 meses e 1 ano, todos na capital. A origem exata da infecção ainda está sob investigação pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) em colaboração com o Ministério da Saúde.

Diante do cenário, a Secretaria de Saúde de São Paulo, desde a última quinta-feira (25), recomenda a aplicação da “dose zero” da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias que residem em São Paulo e Guarulhos. Essa medida emergencial visa proteger as crianças mais vulneráveis, mas é crucial ressaltar que a dose zero não substitui o esquema de rotina.

Mesmo após receber a dose extra, as crianças devem seguir o Calendário Nacional de Vacinação, com a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e a segunda, preferencialmente com a tetraviral (que também protege contra varicela), aos 15 meses. A dose zero também pode ser utilizada em ações de bloqueio vacinal em torno de casos suspeitos ou confirmados, conforme avaliação epidemiológica.

A Urgência da Vacinação e os Riscos da Baixa Cobertura

A principal preocupação das autoridades de saúde reside na cobertura vacinal. Atualmente, o estado de São Paulo apresenta índices abaixo da meta de 95% recomendada para garantir a imunidade de rebanho e conter a circulação do vírus. A cobertura para a primeira dose da tríplice viral está em 85,32%, enquanto a segunda dose atinge apenas 72,06%.

Essa lacuna na imunização cria um ambiente propício para a disseminação do sarampo, especialmente em grandes centros urbanos com alta densidade populacional. A falta de vacinação não apenas coloca os indivíduos não imunizados em risco, mas também compromete a proteção de toda a comunidade, incluindo aqueles que não podem ser vacinados por motivos de saúde.

A secretaria reforça a orientação para que a população procure a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal e atualizar a imunização, se necessário. A interrupção da circulação do vírus depende diretamente da adesão em massa à vacinação e da vigilância epidemiológica constante. O Ministério da Saúde oferece informações detalhadas sobre o calendário de vacinação.

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