8.dez.23/Folhapress

Telerreabilitação no SUS reduz mortalidade de pacientes graves em estudo inédito

Saúde

Um avanço na medicina intensiva brasileira

Uma estratégia inovadora de telerreabilitação, implementada em hospitais públicos brasileiros, alcançou um resultado considerado raro na medicina intensiva: a redução significativa da mortalidade de pacientes críticos. O modelo, que integra cuidados desde a unidade de terapia intensiva (UTI) até o acompanhamento domiciliar, demonstrou eficácia ao combinar suporte remoto e uma abordagem multidisciplinar contínua.

Os dados, que trazem um novo horizonte para o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), foram apresentados em um congresso internacional em Belfast, na Irlanda do Norte, e publicados no Jama, uma das publicações científicas de maior prestígio global. O estudo acompanhou 1.916 pacientes internados em 20 hospitais públicos de diversas regiões do país entre 2024 e 2025.

A estratégia por trás dos resultados

O projeto foi coordenado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pelo Hospital Moinhos de Vento, por meio do Proadi-SUS. A metodologia baseou-se em um tripé de cuidados: suporte remoto especializado para equipes de UTI, visando a desmame mais ágil da ventilação mecânica; avaliação multidisciplinar durante a permanência na enfermaria; e um programa de reabilitação por teleatendimento estendido por dois meses após a alta hospitalar.

A atuação conjunta de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos foi fundamental para a recuperação dos pacientes. Segundo Regis Goulart Rosa, chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento e primeiro autor do estudo, o impacto na sobrevivência superou as expectativas iniciais da equipe, que focava primordialmente na qualidade de vida.

Impacto clínico e qualidade de vida

Os números revelam uma mudança expressiva no prognóstico dos pacientes com insuficiência respiratória aguda. A taxa de mortalidade em 90 dias caiu de 78,3% para 71,8% no grupo submetido à telerreabilitação, uma redução de 7,6 pontos percentuais. Além disso, o tempo médio de ventilação mecânica foi reduzido de 15,5 para 9,9 dias, aliviando a pressão sobre os leitos hospitalares.

A qualidade de vida dos sobreviventes também apresentou melhora notável, com um score 33% superior ao grupo que recebeu o cuidado habitual. O indicador avaliou critérios como mobilidade, autonomia, controle da dor e saúde mental. Os pacientes acompanhados pelo novo modelo permaneceram, em média, 4,9 dias a mais fora do ambiente hospitalar nos três meses subsequentes à internação.

Perspectivas para o sistema público

Embora a análise econômica detalhada ainda esteja em curso, a expectativa dos pesquisadores é que a intervenção gere economia para os cofres públicos, dado o menor tempo de permanência hospitalar e a redução de complicações pós-alta. O sucesso do projeto reforça a importância da tecnologia como aliada na democratização do acesso a cuidados de alta complexidade.

O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta pesquisa e como ela pode ser escalada para outras unidades da rede pública. Mantenha-se informado sobre os avanços da ciência e as políticas de saúde que impactam a vida dos brasileiros assinando nossa newsletter e acompanhando nossas reportagens exclusivas.

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