Terapia hormonal na menopausa surge como aliada na proteção da saúde óssea

Terapia hormonal na menopausa surge como aliada na proteção da saúde óssea

Saúde

A transição para a menopausa é um período marcado por transformações biológicas profundas, e novas evidências científicas reforçam o papel da terapia hormonal não apenas no alívio de sintomas imediatos, mas também na preservação da estrutura esquelética. Um estudo apresentado em junho, durante o congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, aponta que mulheres que utilizam essa abordagem terapêutica apresentam uma redução significativa no risco de baixa densidade mineral óssea.

Impacto da reposição hormonal na densidade mineral

A pesquisa, que analisou 387 mulheres na pós-menopausa entre 2021 e 2025, revelou uma diferença expressiva entre os grupos. Enquanto 56,2% das mulheres que não faziam uso de hormônios apresentaram baixa densidade mineral óssea, esse índice caiu para 31,8% entre as pacientes que realizavam o tratamento. Os dados indicam que o uso de hormônios está associado a uma proteção de 69% contra o desgaste ósseo acentuado.

Os resultados foram observados especialmente na região da coluna lombar e do quadril. Mesmo após ajustes estatísticos que consideraram variáveis como idade, tabagismo, níveis de vitamina D e tempo de menopausa, a correlação positiva permaneceu, sugerindo que a reposição hormonal atua como um fator de preservação da massa óssea durante essa fase crítica da vida feminina.

O papel biológico do estrogênio

O efeito protetor está diretamente ligado ao estrogênio, o principal hormônio sexual feminino. Segundo a ginecologista Helena Hachul, do Hospital Israelita Albert Einstein, o estrogênio é fundamental para manter o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do tecido ósseo. Com a queda drástica na produção desse hormônio durante a menopausa, a atividade das células responsáveis pela reabsorção óssea aumenta, acelerando a perda de massa.

Esse processo é mais intenso durante a transição menopausal e nos primeiros cinco anos após a última menstruação. Especialistas classificam essa fase como uma “janela de oportunidade” crucial. Intervir precocemente pode ser determinante para prevenir o desenvolvimento da osteoporose, uma condição silenciosa que aumenta drasticamente o risco de fraturas e compromete a qualidade de vida no envelhecimento.

Avaliação individual e limites da terapia

Embora os dados sejam promissores, a comunidade médica enfatiza que a terapia hormonal não deve ser vista como uma solução universal. A decisão de iniciar o tratamento exige uma avaliação rigorosa do histórico clínico da paciente. O tratamento é geralmente considerado mais seguro e eficaz para mulheres com menos de 60 anos ou que iniciam a reposição até dez anos após o início da menopausa.

Existem contraindicações importantes que impedem o uso da terapia em certos perfis, como mulheres com histórico de câncer de mama, trombose, acidente vascular cerebral (AVC) ou doenças hepáticas ativas. Além disso, os autores do estudo alertam para o “viés de seleção”: pacientes que buscam terapia hormonal frequentemente possuem acesso a um estilo de vida mais saudável, incluindo melhor nutrição e prática regular de exercícios, o que também contribui para a saúde dos ossos.

Hábitos saudáveis como base da prevenção

Independentemente da indicação hormonal, a manutenção da saúde esquelética depende de um conjunto de hábitos. A prática de exercícios de força, como a musculação, é essencial para estimular a densidade óssea. A nutrição também desempenha um papel central, com a necessidade de ingestão adequada de cálcio e proteínas, além do monitoramento dos níveis de vitamina D.

Para pacientes que possuem contraindicações ao uso de hormônios, a medicina dispõe de alternativas farmacológicas específicas para o tratamento da osteoporose. O acompanhamento médico contínuo é o caminho mais seguro para definir a estratégia terapêutica ideal. Para mais informações sobre saúde, bem-estar e atualizações científicas, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência em notícias com credibilidade e contexto.

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