O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar controvérsia nas redes sociais ao publicar uma imagem que retrata a Venezuela como o 51º estado americano. A postagem, feita em sua plataforma Truth Social nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, surge um dia após a líder interina venezuelana, Delcy Rodríguez, rechaçar veementemente qualquer possibilidade de anexação em uma entrevista.
A imagem, que rapidamente repercutiu, mostra o mapa da Venezuela com as cores e estrelas da bandeira dos Estados Unidos, acompanhada da legenda “51º State” (51º Estado). A publicação foi inclusive compartilhada pelo perfil oficial da Casa Branca na plataforma X, amplificando seu alcance e o debate sobre as intenções por trás da provocação.
Rejeição veemente da Venezuela à ideia de anexação
A publicação de Trump ocorre em um momento delicado das relações entre os dois países e logo após declarações firmes da líder interina venezuelana. Delcy Rodríguez, que participou de uma audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, na Holanda, na última segunda-feira, foi categórica ao abordar a questão de uma possível anexação.
“Continuaremos defendendo a nossa integridade, soberania e independência. Nossa história é de homens e mulheres que deram suas vidas para nos tornar não uma colônia, mas um país livre”, afirmou Rodríguez, sublinhando a posição irredutível de seu país. A fala da líder venezuelana ressalta a importância histórica da autonomia para a nação sul-americana, que tem um longo histórico de lutas por autodeterminação.
Histórico de insinuações e a complexa relação EUA-Venezuela
Esta não é a primeira vez que Donald Trump ventila a ideia de anexar a Venezuela. Em março, o republicano já havia feito insinuações semelhantes nas redes sociais, após a vitória da seleção venezuelana na Copa do Mundo de beisebol, justamente contra a equipe dos EUA. A sugestão, na época, foi recebida com estranheza e críticas por analistas políticos e diplomatas.
A relação entre Washington e Caracas tem sido marcada por altos e baixos, especialmente nos últimos anos. Delcy Rodríguez, que atuava como vice na ditadura de Nicolás Maduro, assumiu a liderança interina após a captura do autocrata pelo governo Trump em janeiro deste ano. Desde então, Washington tem exercido uma espécie de tutela sobre o regime, buscando uma transição e o restabelecimento de relações diplomáticas, que haviam sido rompidas por Maduro em 2019. Rodríguez, inclusive, afirmou estar trabalhando em uma agenda de cooperação com o governo republicano, após a normalização das relações em março, o que torna a publicação de Trump ainda mais enigmática.
Padrão de retórica provocativa e seus desdobramentos diplomáticos
A Venezuela, contudo, não é o único alvo da retórica de anexação de Trump. O ex-presidente americano tem um histórico de usar suas redes sociais para fazer ameaças ou insinuações semelhantes contra outros países e territórios, inclusive aliados de longa data dos Estados Unidos. Em janeiro, por exemplo, Trump publicou uma imagem que mostrava os EUA e o Canadá como um único território, sem fronteiras, pintado com a bandeira americana.
O republicano já havia sugerido publicamente a anexação do vizinho ao norte, um importante aliado na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental liderada por Washington. Essa postura tem gerado uma crise aberta nas relações, especialmente com Ottawa e a Groenlândia, território dinamarquês que também foi alvo de sua cobiça. Trump chegou a se referir mais de uma vez ao então premiê canadense, Mark Carney, como “governador”, como se o Canadá fosse um estado americano. Essas declarações, mesmo que em tom de brincadeira ou provocação, têm o potencial de desestabilizar relações diplomáticas e gerar incertezas geopolíticas.
A recorrência dessas publicações levanta questões sobre a estratégia de comunicação de Trump e o impacto de suas mensagens no cenário internacional. Enquanto alguns veem as postagens como meras provocações, outros as interpretam como sinais de uma política externa imprevisível e unilateral, com potenciais implicações para a soberania e a estabilidade regional. A comunidade internacional segue atenta aos desdobramentos dessa retórica e suas consequências para as relações entre os países envolvidos. Para mais informações sobre política internacional e seus impactos, clique aqui.
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