Gute Garbelotto/CMSP

Vereador preso em operação contra facção criminosa foi poupado de expulsão pelo PT em 2014

Politica

Contexto de uma trajetória marcada por investigações

A recente prisão do vereador Senival Moura (PT), ocorrida nesta quinta-feira (25), trouxe à tona um capítulo antigo e controverso na trajetória política do parlamentar na capital paulista. O político, que agora é alvo de uma operação policial que apura supostos vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital), já havia enfrentado o escrutínio das autoridades e do próprio partido há mais de uma década.

Em 2014, enquanto seu irmão, o então deputado estadual Luiz Moura, era formalmente expulso dos quadros do Partido dos Trabalhadores, Senival conseguiu manter sua permanência na legenda. Naquele período, ambos eram citados em investigações do Ministério Público que apuravam conexões entre agentes políticos e a facção criminosa, focadas especialmente na operação de cooperativas de transporte público.

A distinção partidária de 2014

A decisão da executiva estadual do PT em São Paulo, à época, foi seletiva. Enquanto Luiz Moura foi desligado após a denúncia de que teria participado de uma reunião com 13 integrantes da facção na sede de uma cooperativa, o caso de Senival foi tratado como distinto pela cúpula petista. O então presidente do diretório estadual, Emídio de Souza, hoje deputado estadual, defendeu a manutenção de Senival no partido.

Em declaração pública feita em julho de 2014, Emídio de Souza afirmou que não havia elementos suficientes para punir o vereador, argumentando que sua condição de sócio da cooperativa não o vinculava automaticamente às atividades ilícitas atribuídas ao irmão. Questionado novamente sobre o episódio nesta quinta-feira, o parlamentar optou por não comentar os fatos ocorridos há 12 anos.

Acusações atuais e o futuro político

O cenário atual é consideravelmente mais complexo para o vereador. Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que Senival Moura teria atuado de forma ativa para permitir a entrada da facção criminosa na empresa de ônibus Transunião. A suspeita é de que o parlamentar tenha instrumentalizado a companhia para viabilizar um sistema financeiro clandestino, destinado a dar suporte econômico a membros do PCC.

Diante da gravidade das novas acusações, o diretório municipal do PT em São Paulo já se manifestou, indicando que o vereador deverá passar por um processo no Conselho de Ética. O desfecho pode resultar em medidas severas, como o afastamento definitivo ou a expulsão da legenda, um cenário que, em 2014, foi evitado.

Defesa alega surpresa e questiona timing

A defesa de Senival Moura, representada pelo advogado Marcio Sayeg, reagiu à prisão com indignação. Em nota, o defensor classificou a medida como surpreendente e questionou o momento da ação policial. Segundo Sayeg, o fato de a prisão ocorrer às vésperas do período eleitoral desperta questionamentos sobre a motivação e a oportunidade da operação, reforçando que a “verdade prevalecerá” no decorrer do processo judicial.

Para acompanhar os desdobramentos deste caso e manter-se informado sobre os bastidores da política nacional e regional, continue acompanhando o Diário Global. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística independente, aprofundada e pautada pelo rigor dos fatos, garantindo clareza em meio aos acontecimentos que moldam a realidade brasileira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *