A disputa por uma das duas vagas ao Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026 ganhou contornos de incerteza com a entrada de Carlos Bolsonaro na corrida eleitoral. Após deixar a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde cumpriu sete mandatos consecutivos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro transferiu seu domicílio eleitoral para o estado catarinense, movimento que alterou o xadrez político local e impôs o desafio de converter o capital político do sobrenome em votos efetivos.
Cenário eleitoral e a disputa pela preferência do eleitor
Dados da primeira pesquisa Quaest após a oficialização das candidaturas, divulgada em 24 de agosto de 2026, revelam um cenário de alta volatilidade. No levantamento estimulado, Carlos Bolsonaro aparece com 16%, em empate técnico com o experiente Esperidião Amin (PP), que registra 19%, e a deputada federal Caroline de Toni (PL), com 12%. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais.
O nível de indefinição é ainda mais acentuado na modalidade espontânea, onde 84% dos eleitores afirmam não saber ou não querer indicar um nome. Entre os que declaram preferência, os índices individuais permanecem baixos, o que indica que a campanha ainda possui um vasto campo de eleitores a conquistar até o dia do pleito.
Rejeição e a busca por identidade no eleitorado
Um dos pontos cruciais do levantamento diz respeito ao potencial de voto e à rejeição dos postulantes. Enquanto Esperidião Amin se beneficia de um maior reconhecimento por sua trajetória política no estado, apresentando-se como um “catarinense raiz”, Carlos Bolsonaro enfrenta um índice de rejeição de 40%, segundo a Quaest. Por outro lado, 34% dos entrevistados declaram que conhecem e votariam no candidato, enquanto 26% afirmam não o conhecer.
A estratégia de Amin tem sido justamente reforçar seu conhecimento profundo sobre as demandas regionais de Santa Catarina, diferenciando-se dos adversários da direita. Já Caroline de Toni, que também busca o voto conservador, ainda lida com um patamar de desconhecimento maior, com 65% dos entrevistados afirmando não saber quem é a candidata.
Unidade partidária e tensões internas no PL
A chegada de Carlos Bolsonaro ao estado provocou uma reconfiguração nas alianças. O movimento levou Esperidião Amin a migrar para a aliança de João Rodrigues (PSD), deixando o caminho livre para que o PL formasse uma chapa pura com Carlos e Caroline de Toni, em apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Apesar das divergências iniciais, o grupo tem tentado projetar uma imagem de coesão.
O esforço pela unidade, contudo, enfrentou percalços públicos. Recentemente, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, cobrou publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) por apoio explícito ao irmão. A parlamentar, que anteriormente havia criticado a estratégia de lançamento de uma candidatura externa, afirmou estar comprometida com os objetivos do partido, buscando apaziguar as tensões internas que marcaram os meses anteriores à campanha.
O Diário Global segue acompanhando de perto os desdobramentos da corrida eleitoral em Santa Catarina e em todo o país. Para se manter informado com análises aprofundadas, dados precisos e o contexto necessário para entender os rumos da política brasileira, continue acompanhando nossa cobertura diária.

