A partir de 1º de outubro de 2026, os beneficiários de planos de saúde no Brasil terão acesso ampliado à mamografia digital. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que o exame deverá ser coberto sem as restrições de idade e gênero que limitavam a realização do procedimento até então. A medida, que coincide com o início do Outubro Rosa, busca centralizar a decisão clínica na avaliação médica, garantindo que o rastreamento e o diagnóstico da doença ocorram de forma mais ágil e precisa.
Mudança na diretriz de cobertura e acesso
Até o momento, a obrigatoriedade da cobertura pelos planos de saúde estava restrita a mulheres com idade entre 40 e 69 anos. Fora desse recorte etário ou para pacientes do sexo masculino, as operadoras podiam negar a solicitação do exame, o que frequentemente impunha barreiras ao diagnóstico precoce. Com a nova norma, aprovada pela diretoria colegiada da agência em 3 de setembro de 2026, o critério passa a ser estritamente a necessidade clínica e a prescrição profissional.
A alteração é fruto de um processo de revisão conduzido pela Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde). Após a aprovação técnica, o tema foi submetido à consulta pública, permitindo que entidades médicas, operadoras de saúde e a sociedade civil contribuíssem para a definição da nova regra. O objetivo é alinhar a saúde suplementar às práticas de rastreamento mais modernas, focadas na individualização do cuidado.
Vantagens da tecnologia digital no diagnóstico
A transição para a mamografia digital representa um avanço significativo em relação ao método tradicional, que utilizava filmes radiográficos. O sistema digital utiliza sensores eletrônicos que captam imagens instantâneas, permitindo uma visualização mais detalhada das estruturas mamárias. Além da precisão diagnóstica, a tecnologia oferece benefícios diretos ao paciente, como a redução da exposição à radiação e um maior conforto durante a compressão da mama, fator que muitas vezes desencoraja a realização periódica do exame.
Impacto do câncer de mama no cenário nacional
A decisão da ANS ganha relevância diante dos dados epidemiológicos brasileiros. Segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2026–2028, o país deve registrar mais de 78.600 novos casos de câncer de mama anualmente. A doença permanece como a principal causa de morte por câncer entre o público feminino no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.
Embora o câncer de mama seja majoritariamente associado às mulheres, a incidência em homens, embora rara, representa cerca de 1% dos casos totais, conforme dados do Ministério da Saúde. A remoção de barreiras de gênero e idade na cobertura dos planos de saúde é vista por especialistas como um passo fundamental para garantir que grupos que necessitam de monitoramento específico, ou que apresentem sintomas precoces, não fiquem desassistidos pelo sistema privado.
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