STF avoca inquérito de Dark Horse e expõe exclusão de produtora em pedido da Polícia Civil ao Coaf

STF avoca inquérito de Dark Horse e expõe exclusão de produtora em pedido da Polícia Civil ao Coaf

Politica

A investigação em torno do filme “Dark Horse”, que aborda a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo e significativo capítulo com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de avocar o inquérito. A medida, tomada em 10 de setembro, transfere para a mais alta corte do país a supervisão integral do caso, que já era alvo de apurações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal. Documentos recentes, tornados públicos após a intervenção do STF, revelam uma lacuna crucial na investigação inicial conduzida pela Polícia Civil paulista: a produtora responsável pelo longa, a Go Up Entertainment, foi deixada de fora do pedido de informações financeiras ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Essa omissão levanta questionamentos sobre a profundidade e o escopo da apuração inicial, especialmente considerando que as suspeitas sobre o financiamento do filme foram o ponto de partida para a abertura do inquérito. A decisão de Dino não apenas centraliza a investigação, mas também joga luz sobre os desafios e as complexidades de casos que envolvem figuras políticas e o uso de recursos, exigindo uma análise rigorosa e transparente por parte das autoridades.

STF avoca inquérito e revela lacunas na apuração sobre Dark Horse

A intervenção do ministro Flávio Dino no inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse” marca um ponto de virada na investigação. Em 21 de agosto, Dino já havia autorizado o compartilhamento de provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo com a Polícia Federal, que também investigava o caso. No entanto, a avocação do inquérito em 10 de setembro eleva o patamar da apuração, colocando-a sob a alçada direta do STF. Essa medida sublinha a relevância do caso e a necessidade de uma análise unificada e abrangente, especialmente diante das revelações sobre a condução da investigação em São Paulo.

Os documentos que vieram à tona após a decisão do Supremo expõem que, embora a suspeita sobre o financiamento do filme tenha sido o estopim para a abertura do inquérito, a Polícia Civil de São Paulo não incluiu a Go Up Entertainment, produtora do longa, em seu pedido de relatório financeiro ao Coaf. A corporação chegou a setembro sem rastrear as contas da produtora, o que contrasta com a natureza da denúncia original e levanta dúvidas sobre a eficácia da apuração inicial.

A cronologia da investigação e a omissão da Go Up Entertainment

A linha do tempo da investigação revela um processo com prazos estendidos e uma aparente desconexão entre o objeto inicial da denúncia e o foco da apuração. As suspeitas sobre o financiamento de “Dark Horse” surgiram em dezembro de 2025. Em 12 de março de 2026, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) requisitou a abertura da investigação, encaminhando o pedido à Polícia Civil em 27 de março. O inquérito foi formalmente instaurado pela Polícia Civil em 31 de março.

Contudo, a portaria assinada pela própria Polícia Civil em 31 de março registrava que as referências a projetos audiovisuais e relações políticas “não constituíam, naquele momento, objeto específico” da investigação. Somente em 22 de maio, a polícia solicitou à Justiça a autorização para obter um relatório financeiro do Coaf. As buscas, que incluíram a apreensão de celulares, computadores e documentos, foram realizadas em 1º de junho. No entanto, até o início de setembro, os dados do Coaf ainda não haviam sido obtidos, e as contas da Go Up Entertainment não foram incluídas no pedido.

Conexões e controvérsias: Go Up Entertainment e Instituto Conhecer Brasil

A produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, tem como produtora executiva Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Essa conexão é um dos pontos que chamaram a atenção das autoridades. O ICB, por sua vez, recebeu R$ 69 milhões da Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Ricardo Nunes (MDB), para implementar e manter pontos de internet gratuita em comunidades de baixa renda da capital paulista.

A Polícia Civil, em seus documentos, apontou diversas “coincidências” entre as duas entidades, sugerindo uma possível interligação que justificaria uma investigação mais aprofundada sobre o fluxo de recursos. A ausência da Go Up Entertainment no pedido ao Coaf, portanto, torna-se ainda mais relevante ao considerar essas possíveis conexões e o volume de recursos públicos envolvidos com o ICB, presidido pela mesma pessoa à frente da produtora do filme.

O papel do Coaf e as implicações da supervisão do Supremo

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) desempenha um papel fundamental na identificação e prevenção de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, analisando movimentações financeiras atípicas que possam indicar irregularidades. A ausência de um pedido de informações sobre a Go Up Entertainment ao Coaf pela Polícia Civil de São Paulo representa uma falha na obtenção de dados cruciais para esclarecer as suspeitas de financiamento do filme.

A avocação do inquérito pelo STF, com a supervisão do ministro Flávio Dino, garante que a investigação terá o rigor e a abrangência necessários para apurar todas as vertentes do caso. A medida também sinaliza a importância de uma análise imparcial e completa, especialmente quando há indícios de uso de recursos públicos e envolvimento de figuras políticas. O Diário Global continuará acompanhando os desdobramentos dessa investigação, trazendo as informações mais relevantes e contextualizadas para nossos leitores, reforçando nosso compromisso com a informação de qualidade e a transparência.

Para mais informações sobre o papel do Coaf em investigações financeiras, clique aqui.

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