Netanyahu enfrenta vaias na ONU e dispara ataques a críticos em discurso acalorado

Netanyahu enfrenta vaias na ONU e dispara ataques a críticos em discurso acalorado

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O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, protagonizou um momento de alta tensão na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ao proferir um discurso marcadamente combativo. A fala do premiê foi recebida com vaias e incluiu uma série de ataques diretos a críticos, levando dezenas de delegações a deixarem o plenário em sinal de protesto, um cenário que se repete pelo segundo ano consecutivo.

A postura de Netanyahu na ONU reflete uma linha dura que tem sido característica de suas aparições na Assembleia Geral, especialmente desde 2024, período que coincide com a intensificação da guerra na Faixa de Gaza. O incidente sublinha as crescentes divisões e a polarização em torno da política israelense no cenário internacional.

A retórica combativa e a reação no plenário

Desde o início de sua apresentação, Netanyahu não hesitou em confrontar os presentes. Ele dirigiu-se diretamente aos delegados, afirmando: “Se ainda há covardes que não deixaram o salão, o façam agora por favor”. Essa provocação inicial estabeleceu o tom de um discurso que seria marcado por uma retórica incisiva e desafiadora.

Assim como no ano anterior, a saída de delegações foi notável, incluindo a representação do Brasil. Contudo, o premiê também contou com o apoio de um grupo de convidados e aliados de Tel Aviv, que, das tribunas acima do salão, aplaudiram e gritaram em suporte. A intensidade das manifestações foi tamanha que o presidente da Assembleia precisou intervir, pedindo ordem antes mesmo do início formal da fala.

A defesa de Israel e as acusações a adversários

No decorrer de seu discurso, Netanyahu abordou diversas questões sensíveis, defendendo as ações de Israel e atacando seus adversários. Ele refutou a declaração do líder sírio Ahmed al-Sharaa sobre as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967, citando a Bíblia para justificar a presença judaica na região desde “o tempo de Moisés”.

O premiê também utilizou elementos visuais, uma tática empregada nos dois anos anteriores. Desta vez, exibiu um pager, fazendo alusão a uma operação contra o Hezbollah, e um aparelho de internet Starlink, de Elon Musk, para criticar o Irã, alegando que o país impede seus cidadãos de se comunicar com o mundo. Essas demonstrações visavam reforçar suas acusações contra grupos e nações consideradas hostis a Israel.

Contexto histórico e as comparações

A fala de Netanyahu na ONU não pode ser desassociada do contexto geopolítico recente. Na Assembleia do ano passado, Israel ainda não havia aprovado um acordo de cessar-fogo com o Hamas, e diversos países haviam anunciado o reconhecimento da Palestina. Naquela ocasião, o premiê comparou tal atitude a “dar um Estado para a Al Qaeda a uma milha de Nova York depois do 11 de Setembro”.

Nesta quarta-feira, a comparação foi retomada, mas com um novo foco. Netanyahu equiparou os ataques de 11 de Setembro aos eventos de 7 de Outubro, o ataque terrorista do Hamas contra Israel em 2023, que resultou na morte de 1.200 pessoas e deu início à guerra em Gaza. A região, hoje, encontra-se devastada pelas forças israelenses, com um número trágico de mais de 73 mil palestinos mortos. Para aprofundar a compreensão sobre o papel da ONU em conflitos, visite o site oficial das Nações Unidas.

A disputa narrativa em Nova York

A cidade de Nova York, sede da ONU e palco dos ataques de 11 de Setembro, também foi cenário de manifestações contra Israel e o apoio militar dos Estados Unidos ao Estado judeu. Em resposta, o governo de Netanyahu investiu na contra-narrativa, financiando cerca de 500 outdoors e propagandas pró-Israel e anti-Irã espalhados pela cidade, conforme informações do gabinete do premiê.

A disputa de narrativas se estendeu a figuras políticas locais, com Netanyahu criticando o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, por seu suposto apoio ao Hamas. Esse embate reflete a complexidade e a sensibilidade do conflito israelense-palestino, que transcende as fronteiras do Oriente Médio e se manifesta em palcos globais como a Assembleia Geral da ONU.

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