Audiência judicial revela dor de famílias vítimas de vendedor de veneno canadense

Audiência judicial revela dor de famílias vítimas de vendedor de veneno canadense

Saúde

Depoimentos marcam o início da sentença

O tribunal de Newmarket, nas proximidades de Toronto, tornou-se palco de relatos dilacerantes nesta quarta-feira (23). Familiares de vítimas que tiraram a própria vida utilizando substâncias letais comercializadas pelo canadense Kenneth Law compareceram à audiência para expor o impacto devastador da perda de seus entes queridos. A sessão, conduzida pela juíza Michelle Fuerst, marca um momento decisivo no processo contra o ex-chef de cozinha, que admitiu ter facilitado o suicídio de 14 pessoas apenas no Canadá.

Entre os depoimentos mais impactantes esteve o de Maria Lopez, mãe de Jeshennia Bedoya-Lopez, que faleceu em 2022, aos 18 anos. A dor da perda foi compartilhada pelo pai da jovem, Leonardo Bedoya, que descreveu o desmantelamento do futuro que a família havia planejado. A audiência, que deve se estender por quatro dias, busca ouvir o impacto causado às vítimas antes da definição da pena, que pode chegar a 20 anos de reclusão.

A atuação de Kenneth Law e a escala global do caso

Kenneth Law, que atuava como chef em um hotel de luxo em Toronto antes da pandemia de Covid-19, utilizou fóruns online para identificar e aliciar clientes vulneráveis. O esquema, que operava sob o disfarce de venda de produtos químicos, alcançou proporções globais. Investigações apontam que o réu enviou substâncias letais para pelo menos 41 países, incluindo o Brasil, França e China.

A dimensão da tragédia é ainda mais evidente no Reino Unido, onde, segundo promotores canadenses, 79 mortes foram vinculadas aos produtos vendidos por Law. Documentos judiciais indicam que o réu comercializava os pacotes por aproximadamente US$ 80, mantendo uma postura de distanciamento emocional. Em entrevistas a um psiquiatra na prisão, Law chegou a afirmar que apenas “atendia a uma necessidade que considerava humana”, negando responsabilidade direta sobre as mortes.

Debate jurídico sobre a tipificação do crime

A condução do caso gerou forte indignação entre os familiares das vítimas. Embora Law tenha se declarado culpado por auxiliar no suicídio, muitos parentes defendem que ele deveria responder por homicídio. O argumento central é que o réu não apenas forneceu o meio, mas participou ativamente do processo de convencimento e busca de clientes em fóruns de discussão online.

A promotoria, contudo, optou pela acusação de auxílio ao suicídio devido à complexidade em provar a intenção homicida direta sob a legislação vigente e a natureza das interações digitais. Especialistas jurídicos acompanham o desfecho, que pode estabelecer um precedente importante sobre a responsabilidade de indivíduos que utilizam a internet para facilitar atos de autodestruição em escala transnacional. Para mais informações sobre este e outros desdobramentos internacionais, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência para notícias com profundidade e compromisso com a verdade.

Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, procure ajuda especializada. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito através do telefone 188.

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