Bruno Spada / Câmara dos Deputados

CCJ da Câmara adia votação da PEC que propõe reduzir maioridade penal para 16 anos

Últimas Notícias

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, nesta terça-feira (18), a análise de propostas que visam reduzir a maioridade penal no Brasil para 16 anos. A interrupção dos trabalhos ocorreu devido ao início da ordem do dia no plenário da Casa, procedimento regimental que suspende automaticamente as votações em comissões temáticas.

Contexto e estratégias legislativas

O debate sobre a redução da maioridade penal ganhou novo fôlego no Congresso após a retirada do tema da PEC da Segurança Pública. A estratégia, articulada por parlamentares da direita, busca dar autonomia às propostas que tramitam de forma independente. O objetivo central das matérias em análise é permitir que jovens a partir de 16 anos respondam criminalmente como adultos e cumpram penas em unidades prisionais comuns.

O relator da proposta principal, o deputado Coronel Assis (PL-MT), promoveu ajustes no texto original da PEC 32/15. A intenção foi restringir o foco exclusivamente à esfera criminal, evitando o que o parlamentar classificou como “confusão jurídica” ao separar a responsabilidade penal de outros direitos civis, como o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou o voto obrigatório.

O impacto do debate público na agenda política

A pressão popular pela mudança na legislação foi intensificada por episódios de violência envolvendo menores, como o caso ocorrido em 21 de abril na capital paulista. O tema, que frequentemente transborda a esfera policial para o cenário eleitoral, tornou-se uma das principais bandeiras do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da direita à Presidência da República.

Defensores da medida, como o deputado Coronel Assis, sustentam que a mudança atende a um anseio da sociedade. O parlamentar cita levantamentos internos que apontariam uma ampla aceitação popular para a redução da idade penal, especialmente em casos de crimes hediondos ou de extrema crueldade, como sugerido na PEC 8/26.

Realidade do sistema socioeducativo

Atualmente, o Brasil opera sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O sistema prevê que jovens entre 12 e 18 anos que cometem atos infracionais cumpram medidas socioeducativas, com tempo máximo de internação limitado a três anos. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que o país mantém cerca de 12 mil adolescentes em unidades de internação, um número que representa menos de 1% da população total de 28 milhões de menores de idade no território nacional.

Além da PEC 32/15, a comissão avalia a PEC 9/26, que propõe uma redução mais abrangente, estabelecendo penalidades específicas para adolescentes na faixa dos 12 aos 16 anos envolvidos em crimes violentos. O debate permanece polarizado entre a necessidade de respostas mais severas contra a criminalidade e a manutenção do modelo de ressocialização previsto na legislação vigente. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras pautas fundamentais para o país, continue lendo o Diário Global, seu portal de referência em informação política e atualidades.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *