Jeenah Moon/Reuters

Copa do Mundo 2026 nos EUA: expectativas e o risco de um ‘gol contra’ para a hotelaria de Nova York

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Em meio a um breve alívio da onda de calor, Nova York sediou uma coletiva de imprensa no Central Park, em Manhattan, na ensolarada manhã de segunda-feira, 8 de junho de 2026. A governadora Kathy Hochul e o prefeito Zohran Mamdani expressaram grande otimismo ao anunciar que o icônico gramado do parque será palco de uma ‘watch party’ para 50 mil pessoas, dedicada à final da Copa do Mundo, marcada para 19 de julho. Hochul assegurou que a cidade estará preparada para receber mais de 1 milhão de visitantes esperados a partir desta semana, prometendo uma hospitalidade exemplar.

O prefeito Mamdani aproveitou a ocasião para alfinetar os representantes da FIFA presentes, destacando que a entrada para o evento no Central Park será gratuita, em contraste com a inacessibilidade de muitos eventos esportivos para a maioria dos torcedores. Contudo, por trás do entusiasmo oficial, há meses as expectativas de benefício econômico do campeonato, que ainda luta para capturar a atenção de grande parte dos americanos, começaram a diminuir. A sinceridade das previsões da FIFA, sob a liderança de Gianni Infantino, tem sido questionada, com muitos comparando-as a quem tenta vender gelo para esquimós.

Otimismo oficial versus a realidade dos números da Copa do Mundo 2026

Apesar das projeções ambiciosas das autoridades nova-iorquinas, os números iniciais para o setor hoteleiro na região metropolitana, que inclui o estádio MetLife – palco da estreia do Brasil no sábado, 13 de junho –, pintam um cenário menos animador. A FIFA havia estimado que a área arrecadaria impressionantes US$ 3 bilhões com a Copa do Mundo 2026. No entanto, há um mês, apenas 25% dos quartos de hotel estavam reservados para as seis semanas do torneio e, nesta semana, a porcentagem ainda se mantém anêmica, em torno de um terço.

Essa baixa taxa de ocupação ocorre mesmo com uma legislação municipal de 2022 que beneficiou os hotéis de Nova York, praticamente eliminando a concorrência do Airbnb ao restringir ofertas de hospedagem por menos de 30 dias consecutivos. A medida, que visava proteger o setor hoteleiro tradicional, não parece ter sido suficiente para impulsionar as reservas para o megaevento esportivo.

Cenário geopolítico e restrições impactam o turismo

O contexto em que Estados Unidos, Canadá e México foram designados anfitriões da Copa do Mundo 2026, em junho de 2018, era significativamente diferente do atual. Naquela época, o cenário político global não previa a guerra comercial iniciada em 2025, que alterou o humor global em relação aos EUA, nem as tensões geopolíticas que incluem ameaças de incorporação do Canadá como 51º estado ou incursões da CIA em território mexicano.

A complicação de novas restrições a vistos de entrada nos EUA e os temores em relação à agressividade das medidas anti-imigração, tristemente confirmadas nesta semana, são fatores cruciais que desestimulam visitantes internacionais. Essas políticas criam um ambiente de incerteza e apreensão, impactando diretamente a disposição dos torcedores em viajar para o país.

Custos de segurança e o comparativo regional

Alguns economistas já preveem que Nova York pode, inclusive, terminar com prejuízo na gerência da Copa do Mundo 2026, em parte devido aos altíssimos custos com segurança. A cidade, que já possui enorme visibilidade e recebe dezenas de milhões de turistas anualmente sem a necessidade de eventos especiais, enfrenta um desafio financeiro considerável para garantir a segurança de um evento de tal magnitude.

Em contraste com a situação nos EUA, hotéis no México e no Canadá estão registrando taxas de ocupação mais elevadas do que quase todas as 16 cidades americanas que sediarão os 104 jogos do torneio. Esse dado não surpreende, dada a facilidade de acesso e a percepção de um ambiente mais acolhedor para visitantes nos países vizinhos, em comparação com as rigorosas políticas de imigração americanas.

O alerta histórico de grandes eventos

Historicamente, países anfitriões de grandes eventos esportivos globais muitas vezes utilizam essas ocasiões para tentar desviar a atenção de questões negativas. O exemplo de Vladimir Putin, que esperou o encerramento dos Jogos Olímpicos de Sochi para, três dias depois, invadir a Crimeia, serve como um lembrete de como tais eventos podem ser instrumentalizados em contextos políticos complexos.

A situação atual nos EUA, com suas tensões internas e externas, levanta a questão se a Copa do Mundo 2026, apesar de seu potencial de união e celebração, poderá também se tornar um pano de fundo para outras narrativas, ou se o foco principal será, de fato, a festa do futebol e seus benefícios (ou desafios) econômicos. Para mais informações sobre o torneio, você pode consultar o site oficial da FIFA.

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