O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou nesta terça-feira (23.jun.2026) a inegociabilidade do programa de mísseis do país, classificando-o como um pilar indispensável para a defesa nacional. Em uma declaração contundente, Pezeshkian alertou que, sem essa capacidade militar estratégica, o território iraniano correria o risco de ser “arrasado sem piedade” por Israel e pelos Estados Unidos, comparando o cenário à devastação observada na Faixa de Gaza.
A afirmação foi feita durante uma visita oficial ao Paquistão, nação que tem desempenhado um papel crucial como mediador nas complexas negociações entre Teerã e Washington. A postura iraniana sublinha a centralidade de seu arsenal balístico na doutrina de segurança da República Islâmica, em um momento de tensões geopolíticas elevadas na região.
A irredutibilidade iraniana sobre a defesa balística
Masoud Pezeshkian não mediu palavras ao defender a soberania do Irã em relação à sua capacidade de autodefesa. “Se não tivéssemos os mísseis que temos para nossa defesa, Israel e os EUA teriam arrasado o Irã como fizeram com Gaza, sem piedade nem de idosos nem de jovens”, declarou o presidente. Essa retórica visa reforçar a percepção interna e externa de que o programa de mísseis não é apenas um ativo militar, mas uma garantia existencial para o país.
A mensagem de Pezeshkian é clara: “Nunca negociaremos com ninguém, sob nenhuma circunstância, as nossas capacidades defensivas.” Essa posição reflete uma convicção profundamente enraizada na liderança iraniana de que a dissuasão militar é a única forma eficaz de proteger seus interesses e sua população diante de ameaças externas percebidas, especialmente de potências regionais e globais.
Apoio paquistanês e a crítica à desigualdade internacional
A postura iraniana recebeu um endosso significativo do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. O líder paquistanês confirmou que o acordo preliminar alcançado entre os Estados Unidos, o Irã e os países mediadores não faz qualquer menção ao programa de mísseis balísticos iraniano, validando a insistência de Teerã em manter o tema fora da mesa de negociações.
Sharif aproveitou a ocasião para criticar o que ele descreveu como uma “aplicação desigual de regras internacionais”. Em sua visão, não deveria haver padrões distintos para o acesso de diferentes nações a armamentos como os mísseis balísticos, sugerindo uma hipocrisia nas políticas de não proliferação que visam desarmar alguns países enquanto outros mantêm arsenais robustos. Essa crítica ressoa com a narrativa iraniana de que está sendo alvo de um tratamento diferenciado.
Histórico e relevância estratégica do arsenal iraniano
A questão dos mísseis balísticos é um dos pontos mais sensíveis nas relações entre Irã, EUA e Israel. O programa de mísseis do Irã teve seu início durante a Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, quando o país buscou compensar as limitações de suas defesas aéreas. Desde então, o Irã investiu significativamente no desenvolvimento e aprimoramento de seu arsenal, ampliando o alcance e a precisão de seus projéteis.
Durante o conflito recente, que se seguiu a ataques conjuntos americanos e israelenses contra o território iraniano, Teerã demonstrou a capacidade de seu arsenal ao lançar centenas de mísseis e milhares de drones contra Israel e nações vizinhas do Golfo. Essa demonstração de força sublinhou a seriedade da ameaça que o programa representa para seus adversários e a importância que o Irã atribui a ele como ferramenta de retaliação e dissuasão.
As perspectivas internacionais e a flexibilização americana
Para Israel, país localizado a aproximadamente 1.500 km do território iraniano, o arsenal de mísseis do Irã é visto como uma ameaça direta e existencial à sua segurança. Historicamente, os Estados Unidos defendiam que tanto o programa de mísseis balísticos quanto o apoio iraniano a grupos armados aliados deveriam ser obrigatoriamente incluídos nas negociações sobre o programa nuclear de Teerã, visando uma abordagem mais abrangente para a segurança regional.
No entanto, nos últimos dias, o presidente Donald Trump tem sinalizado uma mudança de postura, indicando uma flexibilidade em relação à questão dos mísseis. Durante a cúpula do G7 na França, Trump expressou a opinião de que seria “injusto” impedir que o Irã possua mísseis enquanto outras nações mantêm arsenais semelhantes. Essa declaração pode indicar uma possível reavaliação da estratégia americana, abrindo novas, embora incertas, perspectivas para futuras negociações. Para mais informações sobre a geopolítica do Oriente Médio, clique aqui.
A complexidade do programa de mísseis iraniano e suas implicações geopolíticas continuam a ser um foco de intensa atenção global. Para compreender os desdobramentos dessa e de outras questões cruciais no cenário internacional, continue acompanhando o Diário Global. Nosso compromisso é trazer informações relevantes, atualizadas e contextualizadas, oferecendo uma leitura aprofundada sobre os temas que moldam o mundo.
