28.mar.25/Folhapress

Fiocruz alerta para alta incidência de casos graves de gripe em grande parte do Brasil

Saúde

A maioria dos estados brasileiros se encontra em patamar de alerta, risco ou alto risco para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), conforme o mais recente boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. A situação epidemiológica aponta para uma preocupante elevação das infecções respiratórias, com exceção notável para Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, que demonstram um cenário menos crítico.

Este aumento nos casos graves é impulsionado principalmente pela circulação intensa dos vírus influenza A e VSR (vírus sincicial respiratório), agentes patogênicos que tradicionalmente encontram condições favoráveis para se espalhar durante as estações de outono e inverno. A sazonalidade é um fator crucial, ligada não apenas ao clima mais seco, mas também às mudanças de comportamento da população, que tende a passar mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, facilitando a transmissão viral.

Cenário de alerta em capitais e a importância da vacinação

O panorama se agrava nas áreas urbanas, onde 13 das 27 capitais brasileiras estão em estado de alerta, indicando um crescimento significativo nos casos graves de gripe. Entre as cidades que demandam atenção especial, destacam-se Belém, Brasília, Manaus, Recife e Teresina. A Fiocruz reitera que a vacinação permanece como a estratégia mais eficaz para prevenir as formas severas da doença e suas complicações.

A proteção contra o VSR, por exemplo, é crucial para os grupos mais vulneráveis. A vacina específica para este vírus pode ser administrada em qualquer período do ano e é fortemente recomendada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Essa medida visa conferir imunidade aos recém-nascidos nos seus primeiros meses de vida, período em que são particularmente suscetíveis a infecções respiratórias graves.

Já a campanha nacional de vacinação contra a influenza, direcionada a grupos prioritários, segue em curso até o dia 30 de maio na maior parte do país. É importante ressaltar que, na Região Norte, devido a um padrão sazonal distinto da doença, a imunização contra a gripe é realizada no segundo semestre, adaptando-se às particularidades climáticas e epidemiológicas locais.

Impacto nos extremos etários: crianças e idosos em foco

O boletim da Fiocruz detalha um padrão preocupante de morbidade e mortalidade que afeta desproporcionalmente os extremos das faixas etárias. Crianças pequenas são as mais impactadas pelas internações, com o VSR e o rinovírus sendo os principais responsáveis. O VSR, em particular, é o maior causador da bronquiolite, uma infecção respiratória comum em bebês e crianças de até dois anos, que pode levar a complicações sérias.

Por outro lado, os óbitos concentram-se majoritariamente entre os idosos, com a influenza A e o coronavírus liderando as causas. Essa distribuição ressalta a vulnerabilidade de ambos os grupos e a necessidade de estratégias de saúde pública focadas em suas necessidades específicas, incluindo a ampla cobertura vacinal e o acesso rápido a cuidados médicos.

Vírus em circulação e a carga sobre o sistema de saúde

Nos últimos 28 dias, a influenza A foi responsável por 46,9% das mortes por gripe grave entre os casos positivos. A Covid-19, embora em segundo lugar, ainda representou 16,9% dos óbitos, seguida pelo rinovírus (20,5%), VSR (8,3%) e influenza B (4,3%). No que tange às internações, o VSR liderou com 36,2% dos casos positivos, seguido pela influenza A (31,6%) e rinovírus (26%). Esses dados, provenientes de uma instituição de referência como a Fiocruz, são cruciais para orientar as políticas de saúde pública e a alocação de recursos.

A vigilância contínua e a análise desses padrões virais são essenciais para antecipar surtos e mitigar o impacto sobre o sistema de saúde, que já opera sob pressão. A conscientização da população sobre medidas preventivas, como higiene das mãos e evitar aglomerações em períodos de alta circulação viral, complementa a importância da vacinação para conter a propagação das doenças respiratórias.

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