Há cerca de um século, a experiência da morte era, para a maioria das famílias, um evento íntimo e doméstico. Parentes faleciam em casa, cercados por seus entes queridos, em um processo que, embora doloroso, era familiar. Contudo, a evolução da medicina moderna transformou radicalmente essa realidade. A morte foi gradualmente deslocada para o ambiente hospitalar, cercada por tecnologias e máquinas, tornando-se um processo cada vez mais medicalizado e, paradoxalmente, menos compreendido pela sociedade.
Essa é a perspectiva da médica canadense Stefanie Green, uma das pioneiras na assistência médica para morrer (MAiD, na sigla em inglês) no Canadá. Para ela, essa mudança fundamental na forma como lidamos com o fim da vida contribui para a dificuldade em discutir abertamente o tema da morte, gerando mais medo e desconforto em qualquer cultura.
A jornada de uma obstetra à vanguarda da morte assistida
A trajetória profissional de Stefanie Green é notável. Após dedicar mais de duas décadas à obstetrícia, acompanhando o início da vida, ela fez uma transição significativa para a área da morte assistida. Essa mudança ocorreu em 2016, logo após a legalização do procedimento no Canadá, um marco que a colocou na vanguarda de um novo campo da medicina.
Como uma das primeiras médicas a oferecer o MAiD em seu país, Green já acompanhou mais de 300 mortes assistidas. Ela é a presidente fundadora da Camap (Associação Canadense de Avaliadores e Provedores de MAiD) e autora do livro

