A menopausa, um marco natural na vida de milhões de mulheres, frequentemente vem acompanhada de desafios que vão além das ondas de calor e alterações de humor. Queixas relacionadas à saúde sexual, como secura vaginal, dor durante a relação e a diminuição do desejo, são comuns, mas ainda cercadas por um silêncio que impede muitas de buscar ajuda. Contudo, especialistas reforçam que esses sintomas não são uma sentença inevitável do envelhecimento e, sim, condições tratáveis que merecem atenção médica e diálogo aberto.
A ginecologista Jussimara Souza Steglich, membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), destaca que a saúde sexual deve ser uma preocupação em todas as fases da vida feminina. Em uma declaração publicada em agosto de 2026, ela enfatizou que a sexualidade não se encerra com a menopausa, mas pode ser “obscurecida por algum fator que não deixa a mulher viver a sua sexualidade”, ressaltando a importância de desmistificar o tema.
Queixas comuns e o impacto na qualidade de vida
As manifestações sexuais na menopausa são diversas e podem afetar profundamente a qualidade de vida. A secura vaginal, por exemplo, é um dos sintomas mais frequentes, resultante da diminuição dos níveis de estrogênio, que leva à atrofia da mucosa vaginal. Isso pode causar desconforto, coceira e, principalmente, dor durante o ato sexual, conhecida como dispareunia.
Além da dor, a perda do desejo sexual, ou libido, é outra queixa significativa. Fatores hormonais, psicológicos e sociais contribuem para essa diminuição, impactando a intimidade e o bem-estar emocional das mulheres. No Brasil, a dimensão do problema é alarmante: cerca de 30 milhões de mulheres estão na faixa da menopausa, e dados nacionais indicam que 82% delas enfrentam sintomas que comprometem sua qualidade de vida, incluindo as questões sexuais.
Desafios no diálogo entre paciente e profissional
Apesar da prevalência dessas queixas, muitas mulheres hesitam em abordá-las durante as consultas médicas. A ginecologista Jussimara Steglich aponta que essa barreira é dupla: por um lado, há a vergonha e o tabu social em torno do sexo, especialmente na maturidade; por outro, muitos profissionais de saúde ainda falham em inquirir ativamente sobre a saúde sexual de suas pacientes mais velhas, presumindo erroneamente que elas não têm vida sexual ativa.
“Muitas vezes, o ginecologista não pergunta sobre saúde sexual, ignorando as queixas, porque é uma paciente que já está em idade mais avançada e acha que não tem sexo”, explica a médica. Essa lacuna na comunicação é crucial, pois impede o diagnóstico e o tratamento adequados, perpetuando o sofrimento em silêncio. A especialista defende que o sexo deve ser visto como algo natural e conversado abertamente tanto com o médico quanto com o parceiro.
Abordagem integral para a saúde sexual na menopausa
O tratamento das queixas sexuais na menopausa vai além de uma única solução, exigindo uma abordagem multifacetada. A médica da Febrasgo enfatiza que as mulheres precisam adotar uma mentalidade diferente, que integre diversos pilares para o bem-estar geral. Isso inclui a prática regular de atividade física, uma alimentação balanceada e a atenção à saúde mental.
Adicionalmente, a terapia hormonal, quando indicada e sob orientação médica rigorosa, pode ser uma ferramenta eficaz para aliviar muitos dos sintomas, especialmente aqueles relacionados à atrofia vaginal e à diminuição da libido. A combinação desses fatores forma um “combo” essencial para enfrentar os desafios que acompanham a menopausa, permitindo que a mulher recupere sua vitalidade sexual e qualidade de vida. Para mais informações sobre a saúde da mulher, consulte o site da Febrasgo.
Quando a dor sinaliza outras condições
É fundamental reconhecer que a dor durante as relações sexuais nem sempre é apenas um sintoma da menopausa. Jussimara Steglich alerta que essa queixa pode ser um indicativo de doenças subjacentes, como endometriose, aderências ou doença inflamatória pélvica, que podem causar dor profunda na pelve. Outras dores podem ser sentidas mais superficialmente, no assoalho pélvico.
A complexidade da dor sexual reside no fato de que ela não é apenas física. “Essa mulher que sente dor vai contrair totalmente o corpo inteiro e, muito mais, os músculos do assoalho pélvico. Toda mulher que tem dor sexual tem o componente da dor e o componente da contratura muscular”, detalha a ginecologista. Por essa razão, um trabalho multidisciplinar, envolvendo ginecologistas, fisioterapeutas pélvicos e psicólogos, é crucial para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento eficaz que aborde tanto os aspectos físicos quanto os emocionais e musculares.
A longevidade feminina, um avanço da medicina moderna, não pode ser dissociada da discussão sobre menopausa e sexualidade. Ignorar esses aspectos significa negar a milhões de mulheres o direito a uma vida plena e satisfatória em todas as suas fases. O Diário Global continuará a acompanhar e aprofundar temas relevantes para a saúde e o bem-estar, reforçando nosso compromisso com informação de qualidade e contextualizada para nossos leitores.

