Brasil registra menor índice de malária em 47 anos com avanço de novo tratamento

Brasil registra menor índice de malária em 47 anos com avanço de novo tratamento

Saúde

O Brasil alcançou um marco histórico no controle de doenças endêmicas. Dados oficiais revelam que o país registrou, em 2025, o menor número de casos de malária desde 1978, consolidando uma tendência de queda que reflete mudanças estratégicas na política pública de saúde. Com 118.037 registros de infecções contraídas em território nacional, o país observou um recuo de 15% em relação ao ano anterior, acompanhado por uma redução expressiva de 30% no número de óbitos, que caíram de 56 para 39 no mesmo período.

Impacto da tafenoquina no tratamento pelo SUS

O sucesso no combate à enfermidade é atribuído, em grande parte, à incorporação da tafenoquina ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento, introduzido em 2023 para adultos e, mais recentemente, adaptado para o público infantil, tem sido um divisor de águas no protocolo de atendimento. Por ser administrado em dose única, o fármaco garante uma adesão mais eficaz ao tratamento, reduzindo drasticamente as taxas de recaída e evitando que a doença volte a se manifestar no paciente.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância dessa inovação durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), realizado em Brasília. O Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a adotar a substância em larga escala, beneficiando mais de 33,7 mil pessoas até junho de 2026. A estratégia de descentralização do diagnóstico e a oferta ampliada de testes rápidos nas regiões mais vulneráveis foram fundamentais para que esses resultados fossem alcançados.

Resultados expressivos em territórios indígenas

A aplicação da nova terapia teve um impacto particularmente positivo em áreas de difícil acesso e alta incidência, como as terras indígenas e assentamentos rurais na região amazônica. No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, a implementação da tafenoquina foi acompanhada por uma queda de 61,9% nas recaídas da doença entre março e junho de 2026. O território foi pioneiro na utilização do medicamento, que, aliado a ações de recuperação nutricional, permitiu uma redução de 55% nos casos totais de malária na região nos primeiros sete meses do ano.

O ministro ressaltou que a combinação de intervenções médicas e suporte humanitário foi essencial para reverter o cenário crítico enfrentado pelo povo Yanomami. “Conseguimos felizmente interromper o verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami”, afirmou Padilha, pontuando que a redução de 70% nos óbitos por malária na região é um reflexo direto da intensificação das políticas de assistência básica e monitoramento epidemiológico.

Vigilância contra o sarampo e desafios continentais

Além da malária, o Ministério da Saúde mantém o alerta para o sarampo. Apesar de o Brasil ter recuperado o certificado de país livre da doença em 2024, o registro de 38 casos importados em estados como São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins exigiu uma resposta rápida. As cepas identificadas possuem origem na América do Norte, onde países como Estados Unidos, Canadá e México enfrentam um aumento significativo de notificações.

Para conter a propagação, o governo intensificou a vacinação em cidades estratégicas, como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. A estratégia atual foca na imunização de pessoas entre 6 meses e 59 anos, independentemente do histórico vacinal prévio, visando proteger a população e manter o status de eliminação da doença no país. Para mais informações sobre saúde pública e atualizações sobre o combate a endemias, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência em notícias com credibilidade e contexto.

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