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Alcolumbre mantém PEC do fim da escala 6×1 travada no Senado em meio a impasses

Politica

O impasse na tramitação da escala 6×1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem mantido sob controle estrito a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a jornada de trabalho na escala 6×1 no Brasil. O texto, que propõe a redução da carga semanal de 44 para 40 horas e a implementação de dois dias de descanso remunerado, permanece retido na Mesa Diretora da Casa, sem o devido despacho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A ausência de movimentação tem gerado tensões nos bastidores legislativos. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), confirmou não ter recebido orientações sobre o envio da matéria. A situação é agravada pelo cancelamento de uma reunião estratégica entre os dois parlamentares, enquanto a assessoria de Alcolumbre optou por não se manifestar sobre o cronograma da proposta.

Cálculo político e resistência econômica

Especialistas apontam que o comportamento da presidência do Senado reflete um cenário de cautela extrema em um ano eleitoral. A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, observa que temas de alto impacto social, como a jornada de trabalho, costumam ser geridos com o objetivo de evitar desgastes imediatos. O receio de setores empresariais quanto aos efeitos na inflação, no PIB e na manutenção de empregos coloca a proposta no centro de um debate econômico complexo.

Enquanto a PEC do fim da 6×1 aguarda definição, a dinâmica de prioridades no Senado revela escolhas políticas claras. Alcolumbre optou por despachar para a CCJ uma proposta alternativa, apresentada pela oposição, que preserva a escala atual e introduz a modalidade de contratação por hora trabalhada. Essa decisão reforça a tese de que o presidente da Casa utiliza suas prerrogativas regimentais para ditar o ritmo da agenda legislativa conforme negociações de bastidores.

Pressão governista e divergências no plenário

A pressão por celeridade é evidente entre os parlamentares governistas, que buscam a votação da PEC ainda no primeiro semestre, antes do recesso legislativo previsto para o dia 18 de julho. Senadores como Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) e a líder do PT, Teresa Leitão (PT-PE), têm utilizado a tribuna para cobrar prioridade, classificando a medida como essencial para a dignidade dos trabalhadores.

O debate, contudo, é heterogêneo. O senador Hermes Klann (PL-SC) manifestou preocupação com os custos da transição, argumentando que a mudança pode onerar a população. Em contrapartida, vozes como a de Romário (PL-RJ) defendem a ampliação de direitos trabalhistas, evidenciando que a divisão sobre o tema não segue estritamente as linhas ideológicas tradicionais entre governo e oposição.

Seletividade na pauta e o impacto fiscal

A postura de Alcolumbre sobre a pauta vai além da escala 6×1. Ao ser questionado sobre projetos como o piso salarial dos garis, o presidente do Senado argumentou contra a seletividade, citando a existência de dezenas de projetos similares. Ele destacou a dificuldade de aprovar medidas que aumentem gastos públicos em um período eleitoral, alertando para o risco de impacto orçamentário.

Contudo, a aprovação recente do projeto que utiliza o Fundo Social do Pré-sal para quitar dívidas do agronegócio — com custo fiscal estimado em R$ 140 bilhões em uma década — gerou críticas. O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, tentou frear a medida devido aos riscos à Lei de Responsabilidade Fiscal. O episódio ilustra a complexidade das negociações no Senado, onde acordos políticos frequentemente se sobrepõem às recomendações técnicas da equipe econômica.

O Diário Global segue acompanhando de perto os desdobramentos desta pauta fundamental para o futuro do trabalho no Brasil. Continue conosco para análises aprofundadas e atualizações diárias sobre os bastidores do poder e as decisões que impactam a economia e a sociedade brasileira.

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