A rotina de uma Copa do Mundo pode ser imprevisível, e o técnico Carlo Ancelotti, da Seleção Brasileira, sentiu isso na pele. Uma coletiva de imprensa, originalmente agendada para as 20h15 (horário de Brasília) desta terça-feira (22), precisou ser adiada em mais de duas horas e meia, iniciando somente após as 22h. O motivo foi um atraso no voo da delegação, que partiu de Nova Jersey com destino a Miami, devido ao mau tempo nos Estados Unidos. Apesar do desgaste imposto pela espera, o treinador italiano manteve o bom humor, encarando o imprevisto com leveza.
“É uma experiência muito bonita dar uma coletiva de imprensa às nove da noite [risos]”, comentou Ancelotti, referindo-se ao horário local, que tem uma hora de diferença em relação ao de Brasília. O episódio, embora inusitado, não desviou o foco das questões cruciais que cercam a preparação da equipe para o próximo desafio no torneio.
Ancelotti e a volta de Neymar à Seleção
As brincadeiras, contudo, deram lugar à seriedade quando o assunto principal da coletiva veio à tona: a condição de Neymar. O atacante, peça fundamental da Seleção Brasileira, está de volta após se recuperar de uma lesão de grau dois na panturrilha direita. Ele treinou normalmente ao longo da semana, gerando grande expectativa para sua possível estreia no que seria seu quarto Mundial. A partida em questão é contra a Escócia, marcada para esta quarta-feira (24), às 19h, pela terceira e última rodada do Grupo C da Copa do Mundo.
Ancelotti expressou satisfação com a recuperação do camisa 10. “Neymar trabalhou bem esta semana e estamos muito contentes com sua volta. Obviamente que, com a qualidade dele, pode ajudar muito ao time”, afirmou o técnico. Questionado sobre o tempo que o jogador, que não entra em campo há mais de um mês, teria condições de atuar, Ancelotti manteve o tom descontraído, mas confirmou a aptidão do atleta. “Ele pode jogar. Eu posso jogar 90 minutos caminhando [risos]. Ele treinou muito bem, estou muito feliz com ele”, completou, reforçando a confiança na condição física do atacante.
Rayan ganha espaço e substitui Raphinha
Apesar da liberação médica, a expectativa é que Neymar comece a partida no banco de reservas, devido à natural falta de ritmo de jogo. A equipe que enfrentará a Escócia terá uma alteração forçada em relação ao time que venceu o Haiti por 3 a 0 na Filadélfia, na última sexta-feira (19). A única ausência confirmada é a do atacante Raphinha, que sofreu uma lesão no posterior da coxa direita e está fora do confronto.
Embora Ancelotti não tenha oficializado o substituto do camisa 11, ele deu fortes indícios de que o jovem Rayan será o escolhido para a vaga. O ex-jogador do Vasco, que atualmente defende o Bournemouth, da Inglaterra, disputa a posição com o também atacante Luiz Henrique. “Acho que o Rayan, quando entrou no lugar do Raphinha [contra o Haiti], fez um bom jogo. Rayan tem muito potencial nesse aspecto [de ‘alargar o campo’, ou seja, atuar posicionado bem próximo à lateral e gerar espaços para infiltração]. Temos outros jogadores que podem se adaptar ao sistema, mas se precisarmos dessa amplitude, o Rayan pode fazer esse papel”, detalhou o treinador, explicando a preferência tática pelo jovem talento. Ancelotti também rechaçou a ideia de poupar o lateral Douglas Santos e o volante Casemiro, ambos pendurados com um cartão amarelo.
“Pensamos em ganhar o jogo com a melhor escalação possível. Não pensamos em cartão. Temos que jogar um jogo completo”, resumiu o técnico, enfatizando a importância de buscar a vitória com força máxima.
Estratégia para a liderança do Grupo C
A Seleção Brasileira chega à última rodada da fase de grupos na liderança do Grupo C, com quatro pontos, a mesma pontuação de Marrocos. O Brasil está à frente pelo critério de saldo de gols (três a um). A Escócia ocupa a terceira posição, com três pontos, enquanto o Haiti está zerado. No mesmo horário do jogo em Miami, marroquinos e haitianos se enfrentarão em Atlanta (Estados Unidos), em um duelo que pode impactar diretamente a classificação final do grupo.
A prioridade da seleção brasileira é terminar a chave na liderança. Esta meta não se deve a uma preferência por um adversário específico nas oitavas de final – que viria do Grupo F, composto por Holanda, Japão, Suécia e Tunísia – mas sim por questões logísticas. Ao garantir a primeira colocação, a delegação poderá permanecer concentrada em Nova Jersey para a fase de mata-mata, evitando deslocamentos e otimizando a recuperação dos atletas. Caso termine em segundo lugar, o Brasil teria que disputar o confronto das oitavas de final em Monterrey (México) e, se avançar, retornaria aos Estados Unidos, mas com bases itinerantes. Há ainda a possibilidade de avançar como um dos oito melhores terceiros colocados, o que implicaria atuar em território norte-americano ou mexicano, dependendo dos resultados finais da primeira fase.
“Não vamos focar no jogo de Marrocos. Vamos pensar no que temos de fazer e fazê-lo bem. Melhorar o [que foi feito no] jogo contra o Haiti. A Escócia tem uma boa equipe, estão com a oportunidade de se classificar melhor no grupo”, finalizou Ancelotti, reiterando o foco total no desempenho da equipe brasileira. Para mais detalhes sobre a cobertura esportiva da Copa do Mundo, você pode consultar a Agência Brasil.
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