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Evo Morales acusa governo boliviano de forçar guerra civil em meio a crise

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A escalada de tensões na Bolívia

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta terça-feira (23) que a atual gestão do país está conduzindo a nação em direção a um conflito interno de grandes proporções. Em entrevista concedida na região do Chapare, Morales declarou que as políticas implementadas pelo governo do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, classificadas por ele como “neoliberais”, estão forçando uma guerra civil no território boliviano.

A declaração ocorre em um momento de extrema fragilidade institucional e social. A Bolívia atravessa, nas últimas sete semanas, um cenário de escassez severa de alimentos, combustíveis e medicamentos, agravado por bloqueios de estradas organizados por apoiadores do ex-mandatário. O país enfrenta, atualmente, a sua pior crise econômica das últimas quatro décadas, o que tem intensificado o descontentamento popular e a polarização política.

A resposta do governo e o estado de exceção

O presidente Rodrigo Paz, que assumiu o comando do país em novembro passado encerrando um ciclo de duas décadas de hegemonia esquerdista, tem adotado uma postura de confronto direto com a oposição. No último sábado (20), o governo decretou estado de exceção, medida que conferiu autoridade às forças de segurança para a desobstrução das vias bloqueadas pelos manifestantes.

Paz responsabiliza diretamente Morales pelos distúrbios que paralisaram o fluxo logístico em diversas cidades. O governo tem sinalizado a intenção de intervir no Chapare, região que serve como reduto político e refúgio para o ex-presidente. A área é conhecida pela forte organização de movimentos sociais ligados ao cultivo da folha de coca, que Morales defende como um símbolo de soberania nacional.

Resistência no Chapare e acusações judiciais

Em sua entrevista, Evo Morales foi enfático ao afirmar que não pretende se render diante das ameaças de prisão. O ex-presidente é alvo de um mandado judicial por um suposto caso de tráfico de menor, alegação que ele nega categoricamente, classificando o processo como uma manobra de “perseguição política” orquestrada para deslegitimar sua trajetória.

A presença de apoiadores armados com instrumentos rústicos nos arredores do refúgio de Morales em Lauca Eñe ilustra o clima de tensão latente. O ex-presidente reiterou que, caso haja uma tentativa de intervenção militar ou policial no Chapare, a resistência será inevitável. “Defender a folha de coca é defender a soberania, a dignidade do povo”, afirmou Morales, reforçando que o conflito atual transcende a política partidária e toca em questões estruturais da economia boliviana.

Perspectivas para o futuro do país

Ao ser questionado sobre os próximos meses, Morales manteve um tom pessimista quanto à estabilidade nacional. Para ele, enquanto não houver uma solução para a crise econômica e um plano claro de reativação estatal, a instabilidade continuará sendo a tônica da vida pública boliviana. O ex-presidente mencionou que uma saída constitucional, como a convocação de novas eleições, poderia ser um caminho, mas evitou endossar abertamente o pedido de renúncia imediata de Rodrigo Paz.

O cenário permanece incerto e monitorado pela comunidade internacional. A crise boliviana reflete um embate profundo entre modelos de gestão distintos, onde a disputa por recursos naturais e a manutenção de políticas públicas essenciais, como saúde e educação, tornaram-se o epicentro de uma batalha que coloca em risco a paz social. Para acompanhar o desenrolar desta crise e outros fatos que impactam a América Latina, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência em jornalismo aprofundado e imparcial.

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