A natação paralímpica brasileira reafirmou sua posição de potência global logo no primeiro dia da etapa da World Series em Berlim, na Alemanha. Em uma jornada marcada por superação técnica e domínio nas piscinas, a delegação nacional encerrou as atividades iniciais com um saldo impressionante de 10 medalhas, sendo nove em categorias adultas e uma na disputa juvenil. O grande destaque individual ficou por conta de Beatriz Flausino, que não apenas subiu ao pódio, mas inscreveu seu nome na história do esporte ao estabelecer um novo recorde mundial.
natação: cenário e impactos
Recorde mundial de Beatriz Flausino marca abertura histórica
A paulista de Osasco, Beatriz Flausino, de 22 anos, foi a protagonista absoluta das eliminatórias nos 100 metros peito da classe SB14, voltada para atletas com deficiência intelectual. Com uma performance avassaladora, ela cravou o tempo de 1min11s52, superando a marca anterior de 1min12s02, que pertencia à espanhola Michelle Morales desde os Jogos de Tóquio 2021. Beatriz, que já ostentava o título de campeã mundial conquistado em Singapura no ano passado, demonstrou que o foco absoluto nos treinamentos desde o início de 2026 foi determinante para este resultado.
Apesar de ter estabelecido o recorde mundial durante as baterias classificatórias, a final da prova reservou novos desafios. Beatriz conquistou a medalha de prata ao finalizar o percurso em 1min12s49, sendo superada pela britânica Aaliyah Richards. Emocionada, a nadadora destacou que o recorde era um objetivo traçado desde a temporada anterior, fruto de um trabalho intenso em conjunto com sua equipe técnica e o apoio constante de sua família.
Domínio de Gabrielzinho e Samuka consolida favoritismo brasileiro
Outro nome que brilhou intensamente nas águas alemãs foi Gabriel Araújo, popularmente conhecido como Gabrielzinho. Recentemente laureado com o prêmio Laureus, considerado o Oscar do esporte mundial, o mineiro da classe S2 (comprometimento físico-motor severo) garantiu o ouro nos 100m livre com o tempo de 1min56s01. A prova ainda teve um sabor especial para o Brasil com a dobradinha no pódio, já que Arthur Xavier, da classe S14, assegurou a medalha de prata.
Gabrielzinho não parou por aí e voltou ao pódio nos 50m borboleta, desta vez com uma medalha de prata (53s09). O ouro nesta prova ficou com outro brasileiro em ascensão: Samuel Oliveira, o Samuka, que registrou 33s13. Samuka demonstrou versatilidade ao conquistar seu segundo ouro do dia nos 50m costas, fechando a prova em 34s66 e superando competidores da Alemanha e da Bósnia. Essa sequência de resultados reforça a profundidade do talento brasileiro em diferentes classes e estilos de nado.
Desempenho feminino e o desafio do formato multiclasses
A representatividade feminina seguiu forte com Lídia Cruz e Mayara Petzold. Lídia, competindo na classe S4, faturou a prata nos 50m costas com o tempo de 51s83. Para a carioca, a medalha teve um valor simbólico de “quebrar o gelo” em uma das provas que considera mais importantes de seu repertório técnico. Já a catarinense Mayara Petzold encerrou o dia com uma prata nos 50m borboleta, ficando a apenas oito centésimos de segundo do ouro, em uma disputa acirrada com a irlandesa Dearbhaile Brady.
Um ponto relevante desta etapa da World Series é o formato de disputa conhecido como multiclasses. Nesse sistema, atletas de diferentes categorias funcionais competem na mesma bateria, e o resultado final é definido por uma tabela de pontos que equaliza o desempenho de acordo com o grau de deficiência de cada nadador. Isso exige dos brasileiros não apenas velocidade, mas uma precisão técnica extrema para maximizar a pontuação em relação aos recordes de suas respectivas classes.
A competição em Berlim segue até o próximo sábado, dia 9 de maio, e serve como um termômetro vital para o ciclo paralímpico atual. Com 17 representantes na Alemanha, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) utiliza esses eventos para ajustar detalhes de performance e observar a evolução dos adversários internacionais em um ambiente de alta pressão. Você pode acompanhar todos os detalhes e os resultados oficiais diretamente no site do Comitê Paralímpico Brasileiro.
O sucesso da natação brasileira em solo europeu é um reflexo do investimento contínuo em centros de treinamento de excelência e no suporte multidisciplinar aos atletas. Continue acompanhando o Diário Global para atualizações em tempo real sobre o desempenho de nossos campeões em Berlim e outras notícias que moldam o cenário esportivo mundial. Nosso compromisso é levar até você a informação com a profundidade e a credibilidade que o esporte de alto rendimento exige.
