24.abr.15/Coofiav/Folhapress

Sociedade Americana do Câncer expande rastreamento de câncer colorretal com testes de sangue e fezes

Saúde

Em um avanço significativo para a saúde pública global, a Sociedade Americana do Câncer (ACS) atualizou suas diretrizes para o rastreamento do câncer colorretal, incorporando exames de sangue e de fezes à rotina de prevenção. A medida, divulgada em 27 de maio e publicada na renomada revista CA: A Cancer Journal for Clinicians, tem como principal objetivo promover o diagnóstico cada vez mais precoce da doença, que apresenta um número crescente de casos em todo o mundo.

A nova recomendação estabelece que esses procedimentos complementares sejam realizados como rotina para indivíduos entre 45 e 75 anos. Embora a colonoscopia continue sendo o padrão-ouro no rastreamento, a inclusão de outras metodologias visa ampliar o acesso e a adesão da população aos exames preventivos, cruciais para aumentar as chances de cura.

Ampliação das opções de rastreamento e o papel da colonoscopia

As diretrizes atualizadas da ACS reforçam a importância de uma abordagem multifacetada no combate ao câncer colorretal. Além da tradicional colonoscopia, que permite a visualização direta do intestino grosso e a remoção de pólipos pré-cancerígenos durante o mesmo procedimento, agora são incentivados testes que avaliam a presença de marcadores de DNA tumoral no sangue e exames de sangue oculto nas fezes.

O coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein Hospital Israelita, destaca o pioneirismo da ACS. “A ACS foi pioneira na modificação da faixa etária de início do rastreamento e agora mostra seu pioneirismo de novo ao reforçar o papel de outros testes além da colonoscopia para ajudar no combate a essa doença, que tem um número progressivo de casos globalmente”, afirma Araujo. Ele ressalta que, embora os exames de sangue e fezes sejam valiosos para identificar a presença de marcadores, eles não substituem a capacidade da colonoscopia de identificar e remover lesões pré-cancerígenas.

Esses novos testes, quando realizados em consultório médico, podem complementar as opções de rastreamento, funcionando como uma triagem eficaz para direcionar quais pacientes necessitam de uma colonoscopia. Essa estratégia é particularmente relevante, considerando que o preparo intestinal prévio e a necessidade de sedação podem ser barreiras para que mais pessoas realizem a colonoscopia.

A urgência do diagnóstico precoce e fatores de risco

A detecção do câncer de intestino antes que ele manifeste seus primeiros sintomas é uma estratégia central para aumentar drasticamente as chances de cura. Quando a doença já apresenta sinais como sangue nas fezes ou alterações no fluxo intestinal, a probabilidade de remissão completa pode cair pela metade. “Temos de ampliar o alcance do rastreamento, especialmente na população jovem”, enfatiza o Dr. Araujo.

Um dado preocupante é o aumento da incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos, muitas vezes sem predisposição genética conhecida. Fatores ambientais e de estilo de vida desempenham um papel crucial nesse cenário. Entre os principais, destacam-se:

  • Sobrepeso e obesidade
  • Consumo excessivo de álcool
  • Tabagismo
  • Sedentarismo
  • Alimentação rica em ultraprocessados e gordura saturada

Para aqueles com histórico familiar de câncer colorretal, a prevenção deve começar ainda mais cedo. A recomendação é iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que o parente de primeiro grau (pai ou mãe) foi diagnosticado, ou a partir dos 45 anos, o que ocorrer primeiro, conforme orientação do especialista.

O cenário brasileiro: avanços e desafios no SUS

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) anunciou em março a criação de um protocolo de atendimento ampliado para o teste imunoquímico fecal (FIT) para a população. A expectativa é que o exame, que rastreia a presença de sangue oculto nas fezes, seja implementado no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do segundo semestre de 2026, integrando a cobertura da atenção primária para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.

Apesar de a idade adotada pela ACS e por sociedades brasileiras de Cirurgia Oncológica (SBCO) e de Coloproctologia (SBCP) ser 45 anos para o início do rastreio, o SUS mantém a recomendação a partir dos 50. A justificativa do Ministério da Saúde, segundo a reportagem, é a ausência de um consenso internacional sobre os benefícios da medida para a faixa etária mais jovem. Além do FIT, o Ministério da Saúde também planeja ampliar a rede de cobertura de colonoscopia no país.

A expectativa da pasta é que 40 milhões de brasileiros façam o exame como parte do protocolo preventivo. Embora o ministério não tenha detalhado quando o projeto começará ou quais cidades serão as primeiras a recebê-lo, a iniciativa é vista com otimismo. “Para nós, a adoção de uma política pública nacional é uma grande vitória. O ideal seria que esses exames começassem aos 45 anos, mas ter uma rede de prevenção de casos assintomáticos era uma demanda que não podia mais esperar”, conclui Dr. Araujo. A implementação dessas políticas é um passo fundamental para reduzir a mortalidade por câncer colorretal no Brasil, alinhando-se aos esforços globais de detecção precoce.

Para mais informações sobre as diretrizes da Sociedade Americana do Câncer, você pode consultar o site oficial da entidade: cancer.org.

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