Sarah Rainsford

Drones ucranianos: por dentro da base secreta que atinge alvos a 2.000 km na Rússia

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A Ucrânia tem intensificado de forma notável seus ataques de longo alcance contra o território russo, utilizando uma frota crescente de drones de fabricação nacional. Esses dispositivos, capazes de atingir alvos a até 2.000 quilômetros de distância, são lançados de bases secretas e representam uma mudança estratégica no conflito, levando a guerra para além das linhas de frente e causando perdas significativas à Rússia.

Em uma rara entrevista concedida à BBC, o comandante de todos os sistemas não tripulados da Ucrânia, Robert Brovdi, revelou detalhes sobre a operação e a filosofia por trás desses ataques. Segundo ele, a ofensiva com drones não apenas visa conter o avanço russo na linha de frente, mas também inflige um número recorde de baixas entre os soldados inimigos, além de gerar um impacto econômico considerável.

A estratégia dos drones ucranianos e a ‘retaguarda pacífica’

A intensificação dos ataques de longo alcance nas últimas semanas tem focado, em particular, em instalações de exportação de petróleo russas, um tipo de alvo que não havia sido atacado com tal frequência anteriormente. Essa nova abordagem reflete uma tentativa ucraniana de desestabilizar a economia de guerra russa e pressionar Moscou em seu próprio território.

O comandante Brovdi enfatiza a natureza provocadora dessas ações. “Somos como uma provocação para o inimigo. Porque levamos a guerra ao território deles para que também a sintam”, afirmou. Ele ressalta que a área de segurança russa, que antes se estendia por milhares de quilômetros, agora está sob ameaça constante. “Entre 1.500 e 2.000 km dentro do território russo já não existe a ‘retaguarda pacífica’. O ‘pássaro’ ucraniano, amante da liberdade, voa para lá quando e para onde bem entender.”

Tecnologia e alcance dos drones: uma evolução constante

O aumento da capacidade de ataque ucraniana está diretamente ligado aos avanços tecnológicos na produção de drones. Os dispositivos de fabricação nacional estão se tornando cada vez mais acessíveis e, crucialmente, com maior autonomia de voo. O modelo observado em ação, por exemplo, pode percorrer mais de 1.000 km, enquanto outros já são capazes de atingir o dobro dessa distância, expandindo significativamente o raio de ação ucraniano.

Essa evolução tecnológica permite que a Ucrânia selecione alvos mais estratégicos e distantes, antes considerados inatingíveis. A capacidade de desenvolver e implantar esses sistemas em larga escala tem sido um fator determinante na moldagem da dinâmica do conflito, permitindo que as forças ucranianas respondam aos ataques russos de uma maneira que antes não era possível.

Alvos prioritários e o impacto econômico na Rússia

Além dos objetivos militares e das instalações de produção, as exportações de energia da Rússia foram claramente identificadas como um alvo prioritário. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, descreve esses ataques como “muito dolorosos” para Moscou, estimando perdas “críticas” que chegam a dezenas de bilhões de dólares no setor energético russo, apesar da recente alta nos preços globais do petróleo.

Brovdi justifica a escolha desses alvos com uma lógica direta: “Putin extrai recursos naturais e os transforma em dinheiro manchado de sangue, que depois usa contra nós na forma de drones Shahed e mísseis balísticos”. A destruição de refinarias e infraestruturas de exportação de petróleo, como a de Tuapse, na costa russa do Mar Negro, que sofreu uma “chuva tóxica” após uma série de ataques, é vista como um meio legítimo de desfinanciar a máquina de guerra russa. “Se as refinarias de petróleo são uma ferramenta para gerar dinheiro que é usado para a guerra, então são um alvo militar legítimo, passível de destruição”, conclui o comandante.

A operação secreta no campo de batalha

A reportagem da BBC teve acesso a uma base secreta de lançamento, um campo chuvoso no leste da Ucrânia, onde os drones de longo alcance são preparados. A equipe trabalha com agilidade e precisão, sob a constante ameaça de detecção pelas forças russas, que poderiam lançar mísseis balísticos em resposta.

O processo é rápido e coordenado. Uma ordem é dada aos gritos, seguida pelo rugido ensurdecedor de um motor e um clarão branco enquanto o primeiro dispositivo decola, assemelhando-se a um pequeno avião a jato, rumo ao território russo. Essa agilidade é crucial para a segurança da operação e para o sucesso da missão, demonstrando a disciplina e a eficácia das unidades de drones ucranianas.

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