27.mai.26/Câmara dos Deputados

Eduardo Bolsonaro sinaliza apoio a Júlia Zanatta como vice na chapa de Flávio Bolsonaro

Politica

Movimentações no PL para a chapa de Flávio Bolsonaro

O cenário político para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos dentro do Partido Liberal (PL). Recentemente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou suas redes sociais para endossar publicamente o nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) como possível candidata a vice na chapa encabeçada por seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A postagem, que exibe uma foto dos dois parlamentares, reforça a estratégia de buscar nomes alinhados à base ideológica do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eduardo justificou a indicação destacando a lealdade de Zanatta ao grupo político e afirmou que a parlamentar estaria plenamente capacitada para ocupar o cargo. Para o ex-deputado, a resistência que a catarinense enfrenta por parte da oposição seria, na verdade, um indicativo de que ela representa uma escolha acertada para o projeto eleitoral da sigla.

Trajetória marcada por polêmicas e embates ideológicos

Eleita em 2022 com mais de 111 mil votos, Júlia Zanatta consolidou sua imagem na Câmara dos Deputados através de uma postura combativa. Um dos episódios mais emblemáticos de seu mandato ocorreu em agosto de 2025, durante um motim de parlamentares bolsonaristas motivado pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, condenado por envolvimento em uma trama golpista.

Na ocasião, a deputada protagonizou um momento de alta repercussão ao levar sua filha, então com 4 meses, para o centro do protesto que impedia o acesso do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao plenário. A atitude gerou críticas severas, incluindo manifestações da OAB de São Paulo, que apontou possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso, que ainda tramita no Conselho de Ética, gerou sugestões de punições que variam desde a censura escrita até a suspensão temporária do mandato.

Além disso, a parlamentar é conhecida por confrontos diretos com a bancada de esquerda. Um dos episódios mais tensos envolveu a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), durante a sessão que discutia a prisão de Chiquinho Brazão. O debate, que versou sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, evidenciou a polarização que Zanatta costuma imprimir em suas intervenções no Legislativo.

Estratégia eleitoral e o desafio do voto feminino

A defesa de uma mulher para compor a chapa de Flávio Bolsonaro não é aleatória. Dados recentes da pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 10 de junho de 2026, indicam que o senador enfrenta dificuldades específicas junto ao eleitorado feminino. Enquanto a vantagem do presidente Lula (PT) sobre Flávio é de 10 pontos percentuais na média geral, esse índice salta para 17 pontos entre as mulheres.

A busca por uma vice que consiga dialogar com esse segmento é uma prioridade para o PL. Embora o nome de Júlia Zanatta tenha ganhado força com o apoio de Eduardo, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, segue como uma alternativa de peso. A ex-ministra conta com o respaldo de lideranças como Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, e Ciro Nogueira, do PP, que veem em sua figura um perfil mais moderado e técnico para atrair o eleitorado conservador indeciso.

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