© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lula destaca educação como pilar de soberania e consciência Brasil-áfrica

Politica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou, nesta segunda-feira (25), a importância da educação como um instrumento fundamental para a formação da consciência crítica e para a superação das profundas desigualdades. Em um discurso marcante, o presidente ressaltou que essa visão da educação é frequentemente percebida como uma ameaça por setores da extrema direita.

A declaração foi proferida durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, evento que reuniu líderes de universidades brasileiras e africanas no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). Organizado em colaboração com a Association of African Universities (AAU), o fórum visa estreitar laços e fomentar a cooperação acadêmica entre os dois continentes, reforçando o papel estratégico da educação no cenário global.

Educação: pilar da soberania e do desenvolvimento

Durante sua fala, Lula relembrou os cinco eixos estruturantes propostos para o relacionamento entre os países na Cúpula de Líderes Celac-África, realizada em março, em Bogotá. Esses eixos incluem o combate à fome, o enfrentamento às mudanças climáticas, a transição energética, a democratização da inteligência artificial e a integração de cadeias produtivas. O presidente destacou que a educação é a ferramenta transversal e indispensável para a superação de todos esses desafios.

A visão de Lula sobre a educação vai além do ensino formal, posicionando-a como um motor de transformação social e política. Ele argumentou que a extrema direita teme a educação precisamente por sua capacidade de despertar a consciência das pessoas sobre a realidade em que vivem. “Por isso, em várias partes do mundo, a extrema direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam as salas de aula em instrumento de dominação”, afirmou o presidente, defendendo o poder emancipador do conhecimento.

O presidente reforçou que o pensamento crítico é intrínseco à luta anticolonial e ao combate a todas as formas de discriminação, como o racismo, a misoginia e a xenofobia. Nesse contexto, as universidades são vistas como bastiões de resistência, locais onde a liberdade de pensamento e a diversidade de ideias devem ser preservadas e incentivadas.

Desafios da Inteligência Artificial e a cooperação digital

Lula também abordou a relevância da educação para o avanço científico e tecnológico, com foco especial na Inteligência Artificial (IA). Ele alertou para a ameaça do “colonialismo digital”, onde algoritmos, concentrados nas mãos de poucos países e empresas, podem se tornar instrumentos de dominação. A falta de investimento em infraestrutura digital, segundo o presidente, impede a superação de carências crônicas em áreas como alta tecnologia, saúde, agricultura e educação básica.

Para combater essa disparidade, o presidente defendeu a construção de modelos de linguagem de IA que contemplem também as línguas dos povos africanos, garantindo uma democratização do acesso e da produção de conhecimento. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial reflete esse compromisso, destinando US$ 20 milhões para projetos conjuntos e US$ 10 milhões para o uso de infraestruturas de IA brasileiras, fomentando a colaboração entre pesquisadores do Brasil, África e América Latina.

Fortalecendo laços acadêmicos: Capes Move África

O apoio do Brasil às universidades africanas não é recente. Olusola Oyewle, secretário-geral da Associação de Universidades Africanas (AAU), destacou que essa parceria se iniciou nos primeiros mandatos do presidente Lula, com bolsas de estudo e colaboração em pesquisa. Oyewle enfatizou a necessidade de “descolonizar o nosso currículo e melhorar as nossas atividades de pesquisa na própria África”, buscando o apoio de países como o Brasil nesse esforço.

Um marco importante do fórum foi a assinatura de acordos relacionados ao programa Capes Move África. Com um investimento de R$ 47,4 milhões, o programa prevê a vinda de 2,6 mil pós-graduandos do continente africano para o Brasil a partir de 2027. Deste total, 1,6 mil bolsas serão destinadas a mestrado sanduíche e 1 mil a doutorado sanduíche, permitindo que estudantes africanos realizem parte de suas pesquisas em instituições brasileiras, enriquecendo o intercâmbio de conhecimento e a formação de novos líderes.

Perspectivas e o futuro da cooperação

O Fórum de Reitores tem como objetivo principal consolidar a educação superior como um eixo central na relação bilateral entre o Brasil e os países africanos. Ele serve como uma plataforma estratégica para ampliar as oportunidades de integração acadêmica, científica e tecnológica. Durante o evento, estão previstos painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões focadas na construção de novas parcerias universitárias.

A expectativa é que essas atividades aprofundem os intercâmbios com instituições acadêmicas africanas, promovendo novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil e cooperação em áreas estratégicas. Entre os setores a serem beneficiados por essas parcerias estão agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas. Atualmente, o Brasil já mantém 235 acordos de cooperação com instituições de educação superior em 38 países africanos, um número que o fórum busca expandir e fortalecer.

A iniciativa reforça a visão de que a educação, em sua amplitude, é um vetor indispensável para o desenvolvimento sustentável e a construção de um futuro mais equitativo para Brasil e África. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes e contextualizadas sobre política, economia e relações internacionais, mantenha-se conectado ao Diário Global, seu portal de informação de qualidade.

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