Pressão eleitoral: governo Trump pede revisão de cadastros em 4 estados por supostos não cidadãos

Pressão eleitoral: governo Trump pede revisão de cadastros em 4 estados por supostos não cidadãos

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Em um movimento que reacende o debate sobre a integridade do processo eleitoral nos Estados Unidos, o governo do ex-presidente Donald Trump solicitou formalmente às autoridades de quatro estados-chave que revisem seus cadastros de eleitores. A medida, anunciada na última sexta-feira, 17 de julho de 2026, tem como objetivo identificar e remover supostos não cidadãos americanos registrados para votar, intensificando a retórica sobre fraude eleitoral que tem sido uma marca da agenda política de Trump.

A solicitação, enviada aos secretários de estado da Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia, ocorre apenas um dia após um pronunciamento nacional de Trump. Nele, o ex-presidente reiterou, sem apresentar provas, teorias da conspiração e acusações de que a China teria interferido no pleito de 2020, quando foi derrotado pelo democrata Joe Biden. Este cenário sublinha a persistente estratégia de Trump de questionar a legitimidade dos resultados eleitorais, um tema central em sua plataforma política.

Alegações sem provas e ameaças do Departamento de Segurança Interna

O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, foi o porta-voz da iniciativa, afirmando em comunicado que o Departamento de Segurança Interna (DHS) realizou análises preliminares dos registros eleitorais nos estados mencionados. Segundo o DHS, mais de 250 mil possíveis não cidadãos estariam registrados ilegalmente para votar nesses quatro estados. Contudo, a pasta não detalhou os critérios utilizados para chegar a esses números nem apresentou qualquer evidência concreta que corroborasse as alegações.

Mullin exigiu uma resposta dos secretários estaduais em até duas semanas, solicitando a confirmação de que cooperariam com o DHS para “reforçar a segurança das eleições”. Em uma conversa com jornalistas, o secretário elevou o tom, alertando que autoridades eleitorais que não adotassem as medidas exigidas pela agência para “garantir a segurança” de seus pleitos poderiam ser “responsabilizadas com multas, penalidades e até, dependendo da gravidade do caso, prisão”. A gravidade das ameaças sublinha a pressão exercida pelo governo federal sobre as administrações estaduais.

Rejeição imediata e o contexto político

A resposta não tardou a vir de Nevada. O secretário de Estado, Francisco Aguilar, rejeitou categoricamente as alegações de Mullin. Em um e-mail, Aguilar afirmou: “Podemos afirmar que, à primeira vista, refutamos essas alegações. Esses números são, na melhor das hipóteses, altamente especulativos, e o Departamento de Segurança Interna não compartilhou nenhuma informação que os sustente.” Ele acrescentou que Nevada já havia fornecido repetidamente ao DHS informações detalhadas sobre a manutenção de sua lista de eleitores e as salvaguardas existentes para prevenir fraudes. Até o momento, Califórnia, Nova Jersey e Pensilvânia não se manifestaram publicamente sobre a carta do DHS.

A iniciativa do governo Trump se insere em um contexto político mais amplo, às vésperas das eleições legislativas de novembro, conhecidas como midterms. Trump tem defendido a aprovação do projeto de lei “Save America Act”, que exigiria documento de identidade com foto para votar e comprovante de cidadania americana para se registrar, além de obrigar os estados a compartilhar informações de registro eleitoral com o governo federal. Essa proposta é vista por democratas e defensores do direito ao voto como uma tentativa de suprimir votos legítimos, argumentando que a fraude eleitoral em larga escala é extremamente rara e que tais medidas dificultariam o acesso às urnas para milhões de eleitores.

O histórico de questionamentos e os desdobramentos futuros

A postura de Trump de questionar os resultados eleitorais não é nova. Desde a sua derrota em 2020, ele tem afirmado, sem provas, que o pleito foi fraudado, que a votação pelo correio é amplamente suscetível a fraudes, que as máquinas de votação não são confiáveis e que a participação de não cidadãos nas eleições é disseminada. No entanto, diversos tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em larga escala na eleição de 2020. Além disso, uma avaliação da inteligência dos EUA concluiu anteriormente que não havia evidências para sustentar a alegação de interferência chinesa.

A pressão sobre a segurança eleitoral também pode ser uma estratégia para mobilizar a base republicana, em um momento em que o partido enfrenta a possibilidade de perder uma ou ambas as Casas do Congresso nas próximas midterms. A taxa de aprovação de Trump tem sido afetada pela impopularidade da guerra com o Irã e pelos altos preços da energia, tornando a questão da integridade eleitoral um ponto focal para sua campanha e a de seus aliados. Em um desdobramento adicional, Mullin afirmou que a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (Cisa) divulgará um “plano atualizado para a infraestrutura eleitoral dentro de 30 dias“, indicando que o tema continuará em pauta.

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